terça-feira, 31 de outubro de 2017

setúbal

Queria jantar fora (fora, fora, ou seja, não era na varanda do apartamento), porque tínhamos dinheiro na conta conjunta para gastar (eu sou assim, um desgovernado), e estava a precisar de ver gente (vida de ermita não é para mim). Após alguma deliberação, decidimos o destino. Fomos até Setúbal. Pagámos autoestrada, fizemos quilómetros, estacionámos o carro junto à Avenida Luisa Todi (no centro), e percorremos a pé o "calçadão", até chegar ao restaurante que tínhamos visto no Tripadvisor. Pelo caminho só via golfinhos. Eram desenhos de golfinhos. Eram estátuas de golfinhos. Eram rotundas com golfinhos. Eram golfinhos por todo o lado. Ou isso, ou o anti-alérgico que tomei, era tão potente que me estava a dar visões de golfinhos. A ser esta última hipótese, olha, que fossem pequenos póneis mágicos. Sempre adorei pequenos póneis mágicos. 

Não me peçam conselhos sobre o restaurante a que fui, porque como dizia a finada Amália, "não me lembro, não me lembro". Só sei que ficava ao pé da Tasca da Fatinha, sendo que decorei este nome que sempre era mais fácil... eu sei, é muito mau estar num espaço e decorar o nome do sítio ao lado... mas que querem? É tipo: "estás na cama com o Paulo e chamas pelo Pedro", mas olhem, foi o que se arranjou. Não me espanquem. Nem me mandem golfinhos mágicos. Se quiserem mandar alguma coisa, que seja dinheiro. Vivo. Ou então se for algo mágico, que seja um pequeno pónei. Sempre adorei pequenos póneis mágicos. Adiante.

Para iniciar a "coisa" tivemos direito a queijo amanteigado, pão, e paté de azeitona. Depois escolhemos um gratinado de vieiras e camarão como "entrada", e para "principal" optámos pelo arroz de marisco. Setúbal não é Peniche, Sesimbra ou Ericeira, pelo que notei alguma inovação na confecção do arroz, que levava pimento (vermelho e verde). Odeio pimento. Mas adoro o resto que estava no tacho. Comi, e estava bom. Mas o pimento... Adiante. Ah, antes que me esqueça: tudo regado com um bom vinho branco Dona Ermelinda, que era bem potente. Só me apercebi da agressividade da bebida quando me levantei da cadeira, dado que ia sendo abalroado por vários golfinhos e pequenos póneis mágicos, que vinham de todo o lado. 

Para terminar, comi um fondant de chocolate - não pedi nada de especial, mas adoro chocolate. Enquanto esperávamos pelos cafés, procurei na net (pelo telemóvel) locais LGBTI+ em Setúbal para beber um copo, mas não encontrei nada. Zero. Népia. Nenhum resultado. Só me apareciam sítios de engate em matas e jardins, mas para beber um copo nada. O que me deixou a teorizar a noite toda, nas seguintes matérias:

Como é que a malta gay que vive em Setúbal, faz para beber um copo num sítio gay? 

Não há sítios gays em Setúbal?

Não há gays em Setúbal? 

Há gays em Setúbal, mas vão de propósito a Lisboa, porque só há gays em Lisboa? 

Os gays em Setúbal compram garrafas de bebidas alcoólicas em supermercados e vão para as matas e jardins, socializar? 

Não saem de casa? 

Só frequentam sítios hetero-friendly?

E os golfinhos e pequenos póneis mágicos? Vieram de onde?

2 comentários:

  1. A malta que vive em Setúbal em grande parte trabalha em Lisboa ou arredores ( tornou-se mais fácil com o advento do comboio ).

    Uma questão muito importante Namorado: o pessoal da margem sul já está mais que habituado a viajar alguns km para tudo e mais alguma coisa enquanto que o pessoal de Lisboa ... tsss... tsss ... tsss :)

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  2. Olha na margem sul, só conheço alguns bares, mas é em almada e arredores, três bares e uma disco

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