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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

um de dezembro

Normalmente dizem que não dou ponto sem nó, embora considere que as pessoas me tenham em maior conta do que deviam, no que diz respeito à inteligência. Contudo, quando ontem escrevi o post sobre o calendário, já tinha em vista este texto. Acho que foi uma falha grave, não referenciar nas datas apresentadas, o dia 1 de Dezembro. O 1 de Dezembro do "Dia Mundial de Luta Contra a Sida". Aquela doença que já matou milhões de pessoas e que tem doentes outros tantos. 

É verdade que hoje em dia, é possível viver com HIV e podemos considerar esta condição uma doença crónica, mas isso não implica que as pessoas tenham parado de morrer. Não pararam. Continuam a morrer. Continuam a morrer porque esta é uma doença, e um vírus, difícil. E porque nem todos conseguem ter acesso aos medicamentos, que permitem controlar o vírus, este dia continua a ter uma importância extrema. Vital. Para não deixar esquecer que a vida humana não tem preço. 

Ontem vi, finalmente, o The Normal Heart. Chorei obviamente. Não baba e ranho porque já estou um bocado vacinado para estes filmes (e homem que é homem não chora, soluça), mas fiquei super comovido. E cheio de vontade de fazer coisas, porque aquelas atitudes (inspiradas em factos reais) mexem connosco. Quase que não nos deixam estar quietinhos no nosso canto, a assobiar para o lado. Porque não podemos fingir que está tudo bem quando não está. 

Para já, este texto tem duas finalidades. A primeira, é prestar uma sentida homenagem a todos aqueles que tombaram perante esta doença (que já foi considerada "exclusivamente dos gays") e a segunda, é relembrar a entrevista que fiz ao Jack Mackenroth, que mostra que a esperança se renova todos os dias.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

viva o rei!

Enquanto a direita parlamentar portuguesa contínua homofóbica, atrasada e hipócrita, no país vizinho (que diz o povo que "nem bom vento, nem bom casamento"), o Rei dá a cara por uma revista gay (autorizou que utilizassem a sua imagem na capa). 

Capa da revista gay espanhola "RAGAP"
Fonte: daqui! 

Mais informação aqui!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

resposta

Ponderei, se haveria de responder ao comentário, que me fizeram neste singelo espaço, ou em alternativa, dedicar uma publicação ao mesmo. Acabei por optar pela última hipótese.

Primeiro devo dizer que não me acho melhor que ninguém (essa fase ficou perdida lá no tempo em que era parvo. Não que hoje, não seja eventualmente parvo, mas sou um parvo diferente) e como tal, as criticas que eventualmente faço… faço-as com o intuito de provocar em mim, uma análise com o objetivo de perceber se também padeço dessa maleita, e se assim for, como posso melhorar como pessoa. 

Depois, o afastamento. Vários motivos. Várias razões. Não é só por ter reatado o namoro. Foi também porque me carregaram com mais trabalho, no trabalho habitual, já por si chato e desgastante. Depois também, porque tenho um part-time que me ocupa as tardes e noites, e finalmente, a motivação para fazer coisas. Ou melhor a desmotivação. Corpo que não descansa, cede. E o cérebro, sem se desligar de vez em quando, deixa de ser imaginativo. E quem me conhece, sabe que adoro ser original, diferente e fazer coisas por impulso, que surgem enquanto pisco os olhos. E como corolário disto tudo, ter que formatar o computador e reinstalar tudo, também ajudou a quebrar o ritmo. É claro que se houve um afastamento, também não houve nenhuma aproximação. Sempre estive à beira de um correio eletrónico, de uma chamada, de uma mensagem, e tirando alguns “bloggers” – “e anónimos” - com quem troco e-mails, mensagens de “whatsapp” ou mensagens pelo “Facebook”, que podem ter eventualmente algum “queixume”, pela demora na resposta, julgo que mais ninguém terá legitimidade na reclamação, até porque, sempre estive disponível. Afastado do blogue? Sim, mas não afastado de quem quisesse. E já se sabe, que uma amizade é trabalhada pelos interessados e que para dançar o tango são precisos dois. Como tal, a crítica será sempre dupla e não pode morrer apenas numa das margens.

Agora traçando um paralelismo entre a publicação, onde critiquei uma amiga, e o meu afastamento do blogue. Não me parece, face ao exposto, que as situações sejam similares. Não só pelo tempo da “relação”, como pelo “grau de intimidade”, quer ainda pelos dramas passados em conjunto. A “tal amiga” que se afastou, faz sempre isso quando arranja alguém. E não foi por falta de tentativas da minha parte, ou do nosso grupo de amigos, que a amizade ganhou uma cor estranha. De todos os convites formulados aceitava menos de 10%. E nestas coisas já se sabe: uma amizade é cuidada pelos dois lados, e que para dançar o tango são precisos dois.

Portanto caro menino/miúdo/rapaz/senhor (riscar o que não interessa), reconheço-lhe alguma razão na crítica que me fez, pese embora considerar, que estamos a falar de coisas diferentes. Lisboa não é Ankara, apesar de serem ambas capitais de países. E sempre poderia ter enviado um e-mail a perguntar, ou a criticar, aqui para o “menino” que “este” teria todo o gosto em lhe responder (já agora aproveito a oportunidade de agradecer ao Hugo, o e-mail enviado!). 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

agradecimentos

E como a Dora me inundou o e-mail com músicas do Glee durante esta semana toda, já tenho material para dar e vender e como tal, fiz um CD para colocar no carro. Já estou preparado para cantar aos berros amanhã. 

Muchas gracias chiquitita!

sábado, 18 de janeiro de 2014

ary do santos

Porque faz hoje anos que morreu. Porque foi um grande poeta. E acima de tudo, porque sim. 


Da Condição Humana

Todos sofremos.  
O mesmo ferro oculto 
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta 
O mesmo sal nos queima os olhos vivos. 
Em todos dorme 
A humanidade que nos foi imposta. 
Onde nos encontramos, divergimos. 
É por sermos iguais que nos esquecemos 
Que foi do mesmo sangue, 
Que foi do mesmo ventre que surgimos. 

Ary dos Santos, 'Liturgia do Sangue'