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sexta-feira, 5 de maio de 2017

possessão

Sempre fui muito possessivo. Mimado. Birrento. Não sou filho único, mas há quem diga que tenho muitas características dessa condição. Há quem diga que sempre recebi muito mimo, mas a verdade é que sempre recebi muita exigência. É verdade também que sou muito comichoso. A minha tesoura é a minha tesoura, a minha caneta é a minha caneta e o meu cabo do telemóvel é o cabo do MEU telemóvel e tenho alguma dificuldade em emprestar. Ou seja, até empresto, mas demoro a horas emprestar – simplesmente porque o objecto fica colado na minha mão – ou digo logo que preciso daquilo que empresto “daqui a 1 hora”. E o mesmo se passa com os meus colegas de trabalho, amigos, família ou namorado. A máxima é: tudo o que é meu deve ser evitado partilhar. Ou como diz a minha guru Rosinha: “na minha panela não entra qualquer colher”. 

Por exemplo, quando um amigo meu traz um amigo dele para o nosso círculo de amigos (será que empreguei na mesma frase muitas vezes a palavra “amigo?” #dúvidaexistencial) fico logo de pé atrás. Esboço um sorriso amarelo e fico a pensar “mas o que está este grunho/a, a fazer aqui?”. Confesso que não sou uma pessoa fácil, e sei que passados uns tempos até posso adorar o facto de ter conhecido as pessoas em questão, mas até lá fico sempre aziado. O mesmo se passa com os meus colegas de trabalho quando trazem alguém “novo” para o nosso quotidiano. Fico logo a revirar os olhos, a encarnar a Regan MacNeil e a dizer asneiras interiormente. Sou uma pessoa de hábitos e resistente à mudança, embora goste de experimentar coisas novas e de conhecer sítios e pessoas diferentes. Confuso? Talvez. Talvez seja mesmo bipolar. Um bipolar que não gosta de partilhar. 

Ainda bem que não nasci há dois milénios atrás e que não fui apóstolo. Tinha sido logo corrido antes mesmo de começar a exercer funções, embora se conseguisse transformar água em vinho seria uma coisa muito fixe.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

inverno

Estou 
tãoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo 
"fartinho" do inverno.

Créditos: Instagram do Pietro Boselli

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

atritos

Eu explico. O outro lado não entende. Acha tudo muito normal e que não tem mal nenhum. Eu também achava tudo muito giro, quando a coisa se mantinha dentro de determinados parâmetros. Deixei de achar "engrassade" (momento Jorge Jesus) porque sim, e também porque sou gémeos, e farto-me depressa das coisas. A realidade, é que também fui formatado para agir perante alguns valores (obrigado, pais!) de determinada forma (e feitio), mesmo quando os outros acham que são atitudes do tempo da outra senhora. Por exemplo, para não me acusarem de ser demasiado críptico, quando alguém passa por outro alguém de quem é "amigo" no Facebook e não cumprimenta, acho ridículo. Idiota até. Então, interagem nos diversos estados, fotografias, etc, que publicam e depois fingem que não se conhecem na "vida real"? Oh, pah se é para isso: fiquem q-u-i-e-t-i-n-h-o-s.

Outra coisa que me dá nervos (imensos, até) é pensarem que todos querem ser "amiguinhos" e que vomitam unicórnios. Não. Nem toda a gente é bem intencionada, e da mesma forma que o burro do Shrek pergunta constantemente "já chegamos?", também existe muita gente que c-o-n-s-t-a-n-t-e-m-e-n-t-e indaga "mas ainda namoras?". Gabo a paciência de pessoas, que todos os meses perguntam isto, com a esperança que a pessoa esteja solteira. Sim, porque basta a pessoa ficar solteira para casarem, terem bebés lindos e aparecem na capa da Caras. A sério. A coisa não funciona assim, sendo que acho, que a parvoíce aqui, é deixar entrar terceiros (seja em que tipo de relacionamento for), só porque "são simpáticos, boa onda e fazem coleção do Pequeno Pónei". Pois está bem. Já vi namoros, casamentos e amizades (BBF, como diz o Paulinho das Feiras, vulgo Paulo Portas) terminar num estalar de dedos, só porque as pessoas envolvidas não sabem colocar os terceiros nos seus lugares - para quem tem dúvidas: é sempre atrás, na cadeirinha e com o cinto de segurança colocado. 

Mas aquilo que realmente me enerva, é dizerem-me "oh pah, não tem mal nenhum". Pois, claro que não tem. Ó pah, o que não tem mal nenhum é beber leite com mel, porque o resto é tudo uma grande treta. Ora bem, se quem procura, encontra, mas se estamos bem, mas procuramos, isso significará que mais tarde ou mais cedo, encontraremos o que não estávamos à procura e depois pimbas! Fez-se o chocapic. Pois fez-se. E depois vem o "ah e tal, não estava à espera". Pois não. É isso e herpes. Mas depois, quando damos por ela, percebemos que o outro lado se apaixonou por outra pessoa... e depois, como que diz a música... amanhã é longe demais. #ficaadica

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

transparências

Quando não gosto de alguém, não consigo disfarçar. É mais forte do que eu. Talvez seja um problema de pele, ou apenas de personalidade. 

#deviaeradesermaiscínico