sexta-feira, 26 de maio de 2017

rimas

E o que rima com Pedro Carvalho?

Créditos: Instagram Pedro Carvalho

blogue

A minha vida não anda fácil, mas isso já nem sequer é novidade. Que descurei aqui o blogue, também já toda a gente percebeu. Que a "coisa" já não é igual ao ano passado, está à vista de todos. Mas todas estas premissas não significam que tenha perdido o prazer de escrever ou de ter este espaço. Não. Não é por aí. 

Para se ter um blogue, não basta criá-lo. Há que alimentá-lo. Há que verter a nossa personalidade, para que seja autêntico. Ter um blogue exige ter algum cuidado com o que se partilha. Tem que se estabelecer critérios para não publicar a primeira coisa que nos passa pela cabeça, e não sendo eu uma Edite Estrela da blogosfera, julgo que pelo menos, devemos passar o texto a publicar por um corrector ortográfico. 

Ter um blogue exige pesquisa. Exige que, pelo menos, não troquemos o nome das personagens. Os textos pedem que se tente condensar ao máximo o momento que se quer partilhar, saltando por vezes, a necessidade de um registo fotográfico que nos ajude a demonstrar a mensagem que queremos passar.

A causa, como já afirmei, não se resume na falta de tempo para escrever (até porque para isso, quando se quer, arranja-se sempre maneira), mas sim, na inspiração. Per si, a minha vida já é um autêntico carrossel, onde consigo obter imenso material para contar e partilhar, mas muitos dos temas que abordo aqui, advêm daquilo que leio na blogosferaNaquilo que os outros escrevem e que partilham. Tudo bem que a minha leitura é orientada num determinado segmento, e que a blogaysfera já teve melhores dias, mas ainda assim é muita coisa para ler, opinar, analisar, retribuir. E faço-o com todo o prazer do mundo, porque não me sinto obrigado a nada. 

O que se passou no passado, é que fiquei refém do blogue. Vivia 24 horas para o Namoro com um Pop Star. A mente não desligava e só pensava, "e se fizer isto" e "aquilo", e o "que posso promover" e o que "posso ajudar". Pode não parecer, mas este comportamento cansa. Andava esgotado, de rastos e comecei a questionar se era mesmo isto que queria. Não sou um bloguer profissional e não consigo viver do que escrevo aqui. Portanto, não poderia sacrificar mais os meus outros "eu's" sob pena de perder muita coisa, até porque não sou uma Pipoca Mais Doce, nem um Arrumadinho. Tenho uma profissão artística que vive da imagem e do desenho, e não da escrita, e é essa actividade que me paga as contas.  

Também é verdade, que a "caça ao Namorado" me começou a irritar um bocadinho, mas as pessoas devem perceber que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Percebo a curiosidade. Não entendo o abuso. Aliás, eu não sou nenhum pokémon para ser caçado, nem sou um gajo pobre de bom para a malta babar, por isso também não se perde nada. Asseguro-vos. Ahhhh! E mesmo que fosse um qualquer pokémon seria tão raro, mas tão raro, que estaríamos na mesma situação.   

Não obstante tudo isto, nunca consegui deixar de ser bloguer. É mais forte do que eu. Como se costuma dizer, "uma vez bloguer, sempre bloguer" e eu sigo essa velha máxima. Assim, resolvi desenhar uma resolução, não de ano novo, mas de verão, vá. Resolvi dedicar-me mais a este blogue, nem que para isso tenha que me levantar às 5h da manhã. Não será uma obrigação, apenas um motivo para voltar a ser um bocadinho daquilo que já fui. 


Créditos: UnPlash + Namoro com um Pop Star


Ahhh e já agora: 

Estou com imenso orgulho dos miúdos de Vagos! 

coisinhas

Depois de ler o blogue do Arrumadinho concluí que ele tem um belo rabiosque. 

E pronto. Era só isto.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

trabalho de detective

O meu novo passatempo no Facebook é cuscar os perfis de pessoas, que me são "indicados" através do "talvez conheças". Assim, quando verifico alguém terrivelmente giro, mando um pedido de amizade. Seja como for, a outra pessoa sempre pode dizer que não, e eu, quando recusada a minha tentativa de coscuvilhice (venho de uma aldeia e assumo que gosto de ver o que os outros colocam nesta rede social) parto para outro desafio.  

Há uns tempos, adicionei um rapaz de Viana do Castelo que me parecia engraçado, e mostrei ao meu namorado, que concordou comigo. Contudo, com o passar das publicações que fazia, as fotografias pareciam-me falsas. Sei lá, pareciam estar fora do contexto e pareciam também, ter sido roubadas de um perfil de Instagram de um qualquer gajo giro. Viana do Castelo passou a ser Lisboa, e o engenheiro deu lugar à profissão de militar. Fiquei com a pulga atrás da orelha, e comecei à procura de sinais que me mostrassem que era um impostor. 

Na semana passada, meteu conversa comigo no chat do Facebook. "Olá lindo!" - escreveu ele. Lindo? Eu? Tipo, este gajo é treta - pensei logo. Tipo, para um gajo como eu que sou super normal, lindo é ofensa. Ofensa não... digamos... que é motivo para desconfiar na hora. Eu não sou lindo, nem giro, nem gostoso, e quando alguém me adjectiva nestes termos, começo logo a pensar o pior. Mas tu queres ver que ele é um anão albino, arraçado de ET Phone Home, que me quer roubar um rim? 

Desde então, ando a delinear estratégias para provar que estou certo. Pergunto coisas a ver se o gajo se deixa apanhar, mas ele é inteligente. "Essa foto é em Lisboa? Não será em Esapanha"? - pergunto. "Não, é no Porto" - responde. E eu, fico a pensar que devia contactar o FBI, para passar num qualquer programa de reconhecimento facial, as fotografias do rapaz, e que a correspondência seria feita com um gajo espanhol de Sevilha. E porque espanhol e de Sevilha? Porque com aquela cara só pode ser espanhol e eu adoro Sevilha. 

dúvidas

Se o meu chefe colocar as mãos por dentro das calças, para coçar os tintins e o capitão Haddock à minha frente, não é normal, pois não?

animais de estimação

Umas das minhas colegas entra no gabinete, e do nada, diz: 

- Oh pah, o que vale é que o meu cãozinho, quando estou triste, lambe-me toda até eu ficar feliz. 


Eu juro que ainda tentei ficar sério, mas não consegui.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

pais

Não quero estar aqui a lamentar-me, até porque não seria justo para os meus pais que não se podem vir aqui defender, mas por vezes custa-me um bocado a falta de apoio nas coisas que faço. Ou melhor, não é exactamente isso, é mesmo arrasarem comigo antes mesmo de fazer algo. É dizerem que aquilo que penso fazer é uma porcaria e não vai resultar de modo nenhum. É afirmarem categoricamente, que “em tudo o que te metes dá sempre errado” e que as minhas opções são sempre contrárias aos seus interesses. Porque eu não sei nada e falho constantemente.

Desde que me lembro de mim, que os meus pais exigiam que fosse o melhor. O melhor na escola, o melhor na ginástica, o melhor no karaté, o rapaz mais educadinho da aldeia, o mais prestável, o mais católico, o mais garanhão, o mais tudo. Tirando a escola, que surgia quase como uma obrigação pessoal, sempre me caguei para aquilo que os meus pais queriam e sempre fiz o que quis. É claro que era sempre criticado e sempre que podiam, lá arremessavam um bota-abaixo monumental, coisa a que me fui habituando com o tempo… até porque como diz o povo “primeiro estranha-se e depois entranha-se”.

Tenho a perfeita noção que esta postura de crítica e de rebaixo é estratégica, porque é mais fácil colocar uma pessoa na merda e quebrá-la, para depois fazer-se o que quiser dela, do que moldar a personalidade de alguém a partir das suas conquistas pessoais. Lembro-me de várias coisas que comecei e que sempre foram vistas como um “fracasso”, que depois de acabadas tornaram-se num “sucesso”, sendo que as primeiras pessoas a aplaudirem-me eram os meus pais, que já tinham comprado todas as cadeiras da primeira fila. Ou seja, sinto que os tenho comigo quando eles sentem que tudo vai acabar bem, e sinto que são os primeiros a abandonar-me antes de iniciar qualquer percurso. Aliás, quando algo corre mal a pergunta sacramental é: o que é que fizeste?  

Nesta fase da vida já não procuro apoio nenhum, porque já me contento com um “deixa para lá”. Mas mesmo assim, a querer viver numa qualquer indiferença, não consigo atingir os meus intentos. Quando comunico um qualquer projecto aos meus pais, já sei que vão arrasar com ele logo ali, mesmo sem perceberem muito bem o que é. Portanto, já há algum tempo que adoptei a estratégia de comunicar no fim o que fiz, ou o que estou a fazer. Assim, não corro o risco de ter mais duas pessoas contra mim.


E embora sabendo isto, e de ter este comportamento, às vezes esqueço-me das premissas a que me votei, e sedento de querer ter uns pais, conto-lhes as coisas que penso fazer na minha vida, lembrando-me logo de imediato porque é que lhes escondo muitos dos meus passos. Se entrei eufórico na sala, saio derrotado pela aduela da porta, sentindo-me tão pequenino que consigo caber numa qualquer junta do pavimento cerâmico, esperando que um dia eles percebam o mal que me fazem. 

tamanhos

"O Presidente da República considerou hoje que a vitória de Portugal na Eurovisão reforçou de tal forma a autoestima dos portugueses que todos ficaram com "mais 20 centímetros" e agora "acham que vão ganhar tudo na vida"."
Notícia aqui. 


Afinal onde estão os meus 20 centímetros? 
Quem é que ficou com eles?


E não me perguntem onde queria ter mais 20 centímetros, porque cada um saberá onde lhe fará mais falta (gargalhada).

jorge

Acho que todos na vida temos aquele momento em que nos interessamos por algum homem heterossexual. E quando escrevo "interessamos" é para não dizer "apaixonamos", porque no meu caso, essa era uma definição demasiado forte para o que aconteceu. Durante a minha vida tive interesse por homens heterossexuais, ou seja, achava piada a um, giro a outro, só pensava no rabo do Mário, ou no corpo do musculado da turma do desporto (Rui). Esse interesse sempre foi físico, até porque sempre achava que seria uma fase. Nunca tinha pensado em casar-me com um rapaz heterossexual ou o que o iria converter no que quer que seja. 

Um dia, um grupo de amigos meus da faculdade, veio buscar-me a casa para irmos a uma discoteca na praia, porque na altura não tinha carro e andava sempre dependente dos outros, e como a malta gostava a minha companhia, fazia o "sacrifício", e lá íamos nós todos contentes. Nessa noite veio o Jorge. Alto, magro, de cabelo espetado e super simpático. Apesar de nunca o ter visto antes, houve empatia entre nós. Falámos imenso, e os nossos olhares dançaram muitas vezes nessa noite. Ele tratou-me bem, meteu-se comigo a noite toda e parecia que éramos amigos de longa data. 

Ele tratou-me de uma forma, que os meus amigos heterossexual nunca o tinham feito até então, e isso foi o suficiente para começar a pensar em "coisas". Escrevo "coisas" porque não sei muito bem qualificar o que seriam, mas da minha parte houve interesse. Havia interesse estar ao pé dele, conversar com ele, ouvir as opiniões dele ou simplesmente estar a olhar para ele. Não sei se ele algum dia percebeu isso, mas se o percebeu, nunca o demonstrou e nunca me tratou de maneira diferente. Como morávamos longe, e não mantínhamos contacto (não é como hoje que basta ter uma página de Facebook) raramente estava com ele, e quando estávamos juntos, é porque pedia aos meus amigos para o convidar quando saía o grupo da faculdade. 

Mas verdade é que nunca aconteceu nada entre nós, nem tive nenhum desgosto de amor, mas foi a primeira vez que senti conexão com alguém que ultrapassava em muito o plano físico. Ele hoje está casado e tem filhos, e raramente nos vemos, mas quando me vê continua a tratar-me com aquele afecto de irmão mais novo, que me fez olhar para ele de uma maneira diferente. Pena, é que seja homofóbico.