Ofereci no Natal, ao meu pai, umas calças de ganga. porque a minha mãe disse-me que era o que ele mais precisava. Ao desembrulhar a prendinha do ma'belho (sim, eu sei que pareço uma criança, mas sou o filho mais velho), diz:
- Uma calças? Não deves ter acertado no número.
Respirei fundo. O meu pai tem o dom de estragar todo e qualquer Natal, pelo que já lhe dou o desconto devido.
Foi a vez do meu irmão. Deu-lhe... outras calças (mas de uma marca xpto, melhor que aquelas que tinha dado). Comentário imediato:
- Ah... outras. Estas parecem ser maiores que as outras. Não me devem servir.
Assim de rajada, e já a revirar os olhos, o meu irmão deu-lhe outra prenda. Era uma camisola com gola em V, porque ele só usa camisolas com gola em V, porque as outras apertam-lhe o pescoço. Ainda estava a abrir o presente, disse logo:
- Verde?????? A sério????? Verde????? Agora é que vou ser gozado pelos "lagartos".
O meu irmão quase que trepou pelas paredes, e eu só pensava "ainda bem que não tive esta brilhante ideia". Já passado da cabeça, e um bocado agressivo, o meu irmão diz-lhe:
- Não queres, não uses. Para a próxima não levas nada.
- Não... uso... embora ache que seja um número acima - respondeu o senhor seu/meu pai.
Passámos à parte prática. Quando perguntei à minha mãe, o que o meu pai precisava, ou queria para o Natal, ela respondeu-me "calças, camisolas, ténis, uma lixadeira e uma parafusadora elétrica". Tendo em conta os custos, optei pela maquineta dos parafusos - e foi isto que lhe ofereci. Mal a desembrulhou no dia 25, colocou-a de lado. E eu pensei "mas, tu queres ver"? Deixei passar uns minutos, mas depois perguntei-lhe:
- Já experimentaste? Não era isto que querias?
- Era e ainda não experimentei. Mas já deu para ver que é muito fraquinha. Não vai conseguir fazer aquilo que quero.
Voltei a respirar fundo. E fui dar uma volta para não explodir. Mas giro, giro, foi quando percebeu que o meu irmão tinha dado um telemóvel todo moderno à minha mãe. Foi o drama. Mesmo sabendo ele, que nunca quis um aparelho daqueles e que em relação à tecnologia, para ele, quanto mais simples melhor. Onde é que alguma vez na vida ele iria perceber como funciona um touch, quando nem sequer sabe ligar a box do Meo? Haja paciência. E pior, foi dizer à vizinhança, que o cão tinha tido mais presentes que ele... e andava tudo com pena do homem, que estava a ver que ainda faziam uma coleta para lhe comprar qualquer coisa. O mais provável, se o fizessem, era ele desembrulhar e dizer: O quê? Isto? Valia mais não terem comprado nada.