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sábado, 1 de novembro de 2025

fim de ciclo

Ter dois relacionamentos terminados num ano é obra! Parabéns a mim, e à minha vida de merda. Acabadinho de chegar a casa, depois de ter estado com o M., senti uma necessidade de vir para aqui escrever, porque pelos vistos chorar no carro não foi suficiente. Confesso, que ter alguém de quem gostamos muito, dizer-nos com o ar mais triste do mundo "tu não gostas de mim", deixou-me de rastos. E a conversa final de despedida, junto ao carro, com pingos de chuva a enquadrar, onde dizem, "tu não me estás a fazer bem, preciso de recuemos uns passos na forma como nos relacionamos", deixou-me sem chão. Na merda mesmo. 

O M., neste último ano e um mês, tornou-se numa das pessoas mais importantes da minha vida. Tornou-se, no meu melhor amigo, confidente, companheiro de ginásio aos fins-de-semana e parceiro sexual não exclusivo. Era um dos pilares da minha nova vida, que de repente ruiu. Tudo bem, que era um momento que já sabia, que podia/iria acontecer, mas também sempre pensei, de uma forma ingénua talvez, que estava tudo esclarecido entre nós. Mas não estava. Hoje, chegou essa confirmação. A "tal" confirmação.

Para mim, o problema nunca foi o M. Nem era ele que tinha "algum defeito", como muitas vezes dizia. O problema sempre fui eu, e como uma pessoa, que era o amor de uma vida, me transformou nisto. Nesta coisa, que vive o dia-a-dia, à espera de outro dia, de outra semana e de outro mês, como se esperasse a morte. De um ser, que paralisa quando alguma coisa se torna demasiado sentimental, tal e qual, um animal selvagem, que fica imóvel perante as luzes de um carro. Mas a verdade é que continuo aqui. Vivo. Sobrevivo. Mas parece que não quero saber de mais nada. Parece que nada me importa ou que não quero saber. 

Não sou hoje, esta pessoa, só por causa de outra. Sou a vítima perfeita de todos os gays, que encontrei no meu caminho sentimental, e que me transformaram num gay, que vive de migalhas. Que se contenta com uns elogios fortuitos, e que tem medo de dar passos, seja em que direção for. Um gay, que não tem amor-próprio e que acha que nunca vai encontrar "melhor". Mesmo quando esse melhor não exista, ou não deva ser visto dessa forma. 

Hoje é um dia muito triste para mim, porque perdi o M. e fiquei ainda mais sozinho. Sozinho, numa solidão tão escura, que já não me mete medo. Apenas me revolta e faz chorar. Porque me deixei enredar numa situação durante muitos anos, porque achava que um relacionamento seria assim, e que acabou por me destruir de tal forma, que muito sinceramente, acho que nunca irei recuperar. Continuo a não perceber a gratuitidade das coisas, e como é possível que uma pessoa abuse de outra, ao ponto de a deixar assim. Tão machucada, dorida, ferida e sem futuro, acabando com essa pessoa que dizia amar. 

Mas a vida presta. Sim, presta. Para quem ainda tem alguma esperança na mesma. Porque pessoas como eu, apenas vivem o dia-a-dia, à espera de outro dia, de outra semana e de outro mês, como se esperassem a morte.

Espero que desse lado o vosso fim-de-semana esteja melhor que o meu. É isso que vos desejo, até porque acredito, e continuo a acreditar, que o Universo nos devolve, o que lhe damos. Apesar de neste momento, ter algumas dúvidas disso. 


Até amanhã. 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

constatações

- Pois, mas estou solteiro. 

- Estás solteiro porque queres. 


Palavra de M. aos Romanos. 

domingo, 13 de abril de 2025

domingos

Cada vez mais, tenho menos vontade em sair de casa. Não sei. Não tenho grande vontade de estar com pessoas, ver pessoas, interagir com pessoas, falar com pessoas, assim-e-coiso, pessoas no geral. Contudo, hoje, domingo, acabei por sair. Não só, porque já tinha combinado com o M. faz semanas, mas também, porque tinha os bilhetes do teatro comigo. 

E assim foi, fomos ao teatro. Rimos imenso. E senti, mais uma vez, aquele interesse subtil, mesmo quando ele me contava, que estava mal de amores por um rapaz do ginásio. Não sei. Apesar de ele me dizer mil vezes, que somos amigos e pronto, eu fico sempre nervoso com a situação, e ando sempre a desviar a minha boca da dele. Se somos amigos, não quero que as coisas fiquem demasiado confusas. Para mim. Mas especialmente para ele. 

Acabámos de ver a peça de teatro, demos uma voltinha pela cidade e acabámos a jantar no "American Disaster". Vi por lá um rapaz que sigo no X, que estava com uma crush, e fingi não o ter visto. Não, porque estivesse com vergonha de alguma coisa, mas porque achei que iria parecer demasiado intrusivo. Demasiado confiante, de que poderia falar a alguém, com quem troquei apenas uns tweets, numa qualquer rede social. Também acho que ele não me reconheceu, e acho que foi o melhor. Para ambos. 

Quando o rapaz e o crush dele saíram do restaurante, o M. perguntou-me:

- Aquele não era o não-sei-quantos-do-x? 

E eu respondi:

- Sim, era ele sim. 

E ele retorquiu: 

- Ele mete lá a vida toda dele. 

E eu fiquei... pois. Ainda bem que o M. não sabe que tenho este blogue. E acho que nunca lhe vou contar… não porque tenha problemas com isso, mas porque não quero perder aquela cena, que é minha, só minha e onde posso ser eu, e apenas eu. 


Apesar de tudo, foi um bom domingo. Foi um dia feliz. Um dia que fugi da minha realidade de merda. E sentado na mesa do restaurante, a olhar para o Marquês de Pombal, e para o pôr-do-sol no topo do Parque Eduardo VII, pensava: onde está aquele rapaz de outrora, que apesar de ter medo de tudo, já sabia que era gay, que sonhava, e que acreditava nas pessoas? Estaria apenas adormecido ou morto de vez?  

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

aniversários

O M. fez anos este mês e convidou-me para o aniversário dele. Bom, dizer "convidar", é uma forma mais simpática de dizer que praticamente me "obrigou". E eu só fui porque era ele. Porque a minha vontade em sair de casa, é cada vez menor, e se for para sítios onde existam muitos gays por metro quadrado, ainda pior. Não é que fosse o caso, porque era um jantar, num restaurante "familiar", mas a minha cabeça - como sempre - começou logo a viajar na maionese, e teci cenários de "bairros", "Trumps" e coisas conexas. E para isso, não estou disponível. Se é que alguma vez estarei. Não só, porque já tenho 44 anos, e logo, pouca paciência, mas também, porque vivo com uma vergonha permanente do que me aconteceu. Não é que eu tenha de a ter, mas tenho. E muita. 

Antes da hora combinada, passei pela casa do M. - onde já estava um amigo, para lhe dar a prenda de anos. Estava com medo, mas ele adorou. Falhei apenas no tamanho do pé, mas nada que não fosse passível de uma resolução fácil. Dali, seguimos para o restaurante, para encontrar o resto das pessoas do M. Como é compreensível, não estava nos meus dias, e ainda estava a digerir algumas das mensagens que tinha recebido momentos antes, sobre que tinham feito isto e aquilo com o meu ex-namorado. Tentei ser simpático, cordial, contar histórias e rir. Por momentos consegui. Por momentos, sai da minha "realidade fatual", e consegui ser aquela pessoa que sou, e não fiquei agarrado à pessoa que me tornei. 

Mas ver todas aquelas pessoas que o M. adora, a mostrar afeto por ele, consideração, amizade genuína, agradecimentos profundos por tudo o que ele fez por cada um deles, com um brilho nos olhos, deu-me novamente esperança que ainda existe malta com princípios, e que os gays, principalmente os gays, não são todos uma merda. Aliás, como lhe disse na mensagem que lhe enviei logo de manhã: a tua existência na minha vida, serve para me mostrar que ainda existem boas pessoas, e acima de tudo, faz-me acreditar que não são todos iguais. 

domingo, 17 de novembro de 2024

fim-de-semana

Bom, parece-me que neste fim-de-semana, não existiu muito drama. Será um sinal que as coisas estão a amainar? 

Acabo de chegar de um café, com uma pessoa que já falava há anos no Instagram, e que nunca tinha conhecido ao vivo, não só porque ele namora, mas porque o meu relacionamento não tinha essa opção (ou pelo menos julgava eu que não). Foi uma conversa interessante, embora estivesse com alguma resistência inicial, porque pensei que ia ser uma seca. Seca, porque de forma indireta, as pessoas "falam" muito através de mensagens, etc., mas depois ao vivo não conseguem articular um discurso coerente e que prenda o outro lado. Aqui, felizmente, isso não aconteceu e ainda bem. Conversámos sobre a minha situação atual (óbvio), de política, de família e que o mundo gay em Lisboa é um penico (e que toda a gente se conhece), Sim, toda a gente conhece toda a gente, ou pelo menos ouviu falar, sendo prova disso, os encontros de 3.º grau  dele, com pessoas das redes, que de alguma forma impactaram negativamente a minha vida, embora não as conheça ao vivo, mas saiba quem são. Confuso? Eu sei. É a minha vida neste momento. 

Ontem, também estive com o M., vimos a Eurovisão Júnior juntos, jantámos e fomos ao cinema. Um programa de amigos, portanto. Ou pelo menos assim espero, que tenha sido o entendimento do outro lado. Apesar das "cobranças". E das "bocas" do género: "ainda não ligaste o Grindr aqui? Não precisas de ficar inibido por mim". *olhos a revirar*


E embora o fim-de-semana tenha passado a correr, de me sentir cansado, e de ter as marmitas todas para fazer, estou mais tranquilo. Resignado talvez. Mas sereno.  

sexta-feira, 15 de novembro de 2024

impulsos

- Peço desculpa pelo beijo na casa de banho. Não o devia ter feito. Vi que ficaste desconfortável. 

- Não tens que pedir desculpa. Como sabes, não estou bem* e a minha cabeça naquele momento não estava ali. Fui apanhado desprevenido, só isso. 


*Nem sei se algum dia estarei. Aguardemos.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

cenas sentimentais

Gosto muito do M. Mesmo a sério. É uma pessoa excelente, que quero manter para sempre na minha vida, e ele sabe-o. É um menino lindo, fofo e muito preocupado. E embora ele me diga constantemente, que está tudo mais do que esclarecido entre nós, às vezes temo que não esteja. E fico de pé atrás, porque não quero entrar em situações sentimentais dúbias, nem magoar ninguém. E é isso. Acima de tudo, não quero magoar o M., porque em relação a mim, não estou muito preocupado. Sei lá, a sofrer já estou eu, e portanto estou um pouco a cagar-me para isso. Para o que sinto. 

Embora o M. diga, que gosta muito de mim, e da nossa amizade, de certa forma pressiona-me. Para estarmos juntos. Muito tempo juntos. A fazer muita coisa juntos. Acho que não o faz por mal, mas começo a sentir-me aprisionado. Asfixiado. E acima de tudo, com vontade de fugir. Não quero desaparecer da vida dele, e já lhe disse que íamos estar juntos no fim-de-semana, mas com calma. Também não quero, que ele comece a ficar demasiado ancorado em mim, e com isso, vá perdendo a possibilidade de conhecer outras pessoas. Porque ele quer, e procura, um namoro. E atenção: eu gosto muito de estar com ele, porque me faz esquecer tudo aquilo em que me encontro, atualmente, envolvido. Tudo o que estou a passar. Mas não posso utilizar o M. como escape. Não é correto. Não faz de mim, boa pessoa. E eu não sou assim. 

Além disso, existem muitos motivos para querer ficar/estar sozinho neste momento. E são todos válidos. Ainda amo muito o outro caramelo, e sei que é recíproco, mas mais do que isso, a minha cabeça não está bem. Não desliga, e não me sinto confortável para algo mais que amizade. Pura e dura. Já me bastam os erros do passado, quando o ex-n.º-1 acabou comigo em outubro, e em maio já estava a namorar com o ex-n.º-2, assim sem perceber muito bem como aconteceu. Quer dizer, assumo a responsabilidade por inteiro, porque misturei as coisas, e confundi carência com amor/carinho/etc. Claro, que depois correu tudo muito mal. Porque não gostava assim tanto dele para esse tipo de relacionamento. E ele ficou a odiar-me. 

Às vezes gostava de ser menos sentimental. Pensar menos nas coisas. Ser mais pragmático. Mas não. Sou assim. Parvo. E acabo por ficar refém de situações, que poderiam ser observadas de outra forma, se fosse outro tipo de pessoa. Mas não sou. Sou como sou. E sou assim. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

dualidades III

Pronto. Ele tinha pensado irmos passear ao parque e lanchar depois. Não precisei de tomar a iniciativa. Agora não sei se isto é bom ou mau. Vamos aguardar pelos próximos episódios. 

dualidades II

Além de tudo o que escrevi na publicação anterior, tenho ali um saco de "pão por Deus" para lhe oferecer. Com chocolates e gomas que ele gosta. Não sei, achei que o deveria de fazer, até porque sou um gajo de pormenores e algumas tradições. Como por aqui, na minha terra, hoje, andam os putos de porta em porta (como eu já andei no ano longínquo de 1769), a pedir o "pão por Deus"  (o que significa doces e docinhos), achei fofo fazer isto. Espero que ele goste e valorize. 


Yeah. Sou um totó.   

dualidades I

Acordei, assim para o triste, e fui ao gym. Vim almoçar com os meus pais e estou aqui sem saber se devo enviar uma mensagem ao M. a convidá-lo para ir dar uma volta, porque não quero que pense que o estou a abandonar (ou a dar ghost), ou se fico quieto a ver um filme sozinho, para não estar a dar esperanças do que quer que seja. Não sei. 


Ainda assim, um bom feriado para vocês, e sejam felizes. Eu farei o possível. 

sábado, 26 de outubro de 2024

não sei

Acabei de chegar a casa depois de uma saída com o M. Fomos jantar e ver uma peça. Dei-lhe um abraço quando o vi e depois outro, na despedida. Fora isso, tentei evitar mais contacto físico, porque embora ele diga que sim, que está tudo bem definido entre nós, eu tenho medo que não esteja, devido em parte, a algumas coisas que ele me diz e algumas "cobranças" que me faz. Além disso, não me sentia muito bem. Aquele tipo de programa, era o que fazia com o meu namorado e ele não estando, parecia que era uma fraude. Que era errado eu estar ali, com aquela pessoa. Que eu estava a ser falso. Ou no limite, desonesto. 

O que sei, é que enquanto soltava umas gargalhadas devido às piadas dos atores, sentia ao mesmo tempo, saudades. Muitas. Dele. Dos olhos dele. Das risadas dele às minhas piadas parvas ou observações tontas. Da vida que tínhamos e que ele percebe agora que tinha - e gostava. Mas as atitudes, as ações, as falhas existem e estão gravadas na pele. E acaba por ser tudo tão triste e tão sem sentido - pelo menos para mim. Não sei. Não sei. Não sei. Tudo me faz soltar lágrimas, que têm vida própria e chegam sem avisar. Que tento controlar com mudanças bruscas de humor ou de pensamentos. 

A psicóloga diz que não tenho depressão alguma. Que estou imensamente triste e desiludido, o que considerando o que passei, é natural. A verdade é que não sei o que se passa comigo. Não sei mesmo. E isto que sinto não passa. Por nada. Não sei se algum dia passará. Não sei. 

terça-feira, 22 de outubro de 2024

conclusões

É claro que me preocupo. E é óbvio, que me continuarei a preocupar. Tomei a iniciativa de mandar uma mensagem na quarta-feira passada, e hoje, só para saber como estava. Se estava bem, se precisava de alguma coisa. Se a cabeça estava menos "depressiva". Não ficaria bem comigo mesmo, se não tivesse a certeza que, apesar da situação, as coisas não fluíssem com a normalidade possível. Talvez por puro egoísmo, de que se acontecesse algo grave, nunca me iria perdoar, ou viver decentemente comigo próprio. Já me bastaram as mortes dos meus avós maternos, e o facto destes terem partido, sem ter esclarecido as coisas com eles, e dizer-lhes, que apesar de tudo, os amava. 

Eu sou assim. Critiquem-me. Julguem-me. Mas gosto de saber como as pessoas estão, principalmente aquelas que, de alguma forma, foram importantes para mim. Nem que seja, de vez em quando, ou de quando em vez. Gosto de saber que o ex-número 1, está bem no estrangeiro, ou que o P., apesar de me "ter feito muito mal" e de me ter partido o coração quando andava na fase de descoberta, está feliz no seu novo namoro. Eu sou uma pessoa que gosta de pessoas, e apesar de ter um ar duro e a cara fechada, não desejo mal a ninguém. Verdadeiramente. 

Ontem de noite, não sei se por ter estado a passar a ferro, a ouvir música mais down, acabei a chorar. A pensar que não me quero continuar a sentir uma fraude e que não quero continuar a viver enleado em mentiras. Que queria voltar atrás no tempo e evitar certos erros. Que apesar de tudo, teria que ser honesto, mesmo que essa ponta de honestidade não fizesse sentido neste momento. Que teria de contar, certos segredos da minha vida, porque isso seria inevitável. Isto, se quisesse garantir a permanência do M. na minha vida. 

Estava eu nesta luta interior, ao mesmo tempo que tentava agarrar as lágrimas e as convulsões, e tinha o M., a bombardear-me com mensagens: "já tenho saudades tuas", "vamos ao cinema na sexta-feira", "vamos jantar fora" e "vamos ver um filme deitados na cama e comer pipocas". Respirei fundo. Respirei muito fundo, para não o mandar à merda. Não só, porque ele não sabia como eu estava naquele momento, mas também, porque ele não tem culpa nenhuma das coisas. Da minha vida. Do meu percurso. Das minhas condicionantes. Da merda em que estou envolvido. 

Como já escrevi aqui, noutro tempo, lugar ou circunstância, a história poderia ser outra. Mas as coisas são como são. E se estas dúvidas existênciais, angústias e medos, continuarem a provocar-me ataques de pânico e ansiedade, e noites sem dormir, terei que falar com o M., abertamente. E apesar de não o querer magoar, o nosso relacionamento terá que dar um passo atrás. E ficar no degrau da amizade "não colorida". Porque pelos vistos, e afinal, ainda não estou preparado para outros voos. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

diálogos

 - Se não soubesse da nossa condição*, até diria que me estavas a tentar conquistar! AHAHAHA

- lol nunca se sabe o que pode acontecer em 2025.

- ahahahah nunca pensei ler isto. 


Prevejo um desastre emocional. 

Tenho mesmo que ser o adulto na sala. 


*mais a minha "condição", daquilo que disse e do que acordámos entre ambos: amigos, eventualmente, coloridos. 


terça-feira, 15 de outubro de 2024

pontos de situação

A semana passada - de quarta de tarde, a sábado de manhã - fui invadido por uma tristeza gigante, que não me cabia no peito. Algo que não consegui controlar, e que me arrastava, com o passar das horas, ainda mais para baixo - talvez como se estivesse sobre areias movediças, de onde queria fugir com todo o desespero, mas ao mesmo tempo, mais me afundava. 

Embora o dia pior tenha sido, de facto, a quinta-feira (aliás, como tem estado a ser há 3 semanas), o jantar de sexta-feira, com amigos, derrotou-me por completo. Não dormi nada de jeito nessa noite, tive um início de ataque de pânico e acordei sábado de manhã às 9h, completamente arrasado. As coisas que foram ditas, e da forma como foram ditas, talvez para justificar atitudes de terceiros, além de terem sido injustas, e sem correspondência com a verdade, deixaram o meu cérebro em roda livre, e autónomo, face ao meu lado mais racional. A culpa não foi minha. Eu não controlei os eventos que se passaram. A mim, ninguém comunicou, ou perguntou nada. Eu fui colocado numa posição onde não queria estar, e que nem pedi para estar, e se ele aparecer com outra pessoa do lado, terei de lidar com isso. Aliás, como tenho estado a tentar resolver tudo até agora. Sozinho. 

Assim, queria estar deitado o fim-de-semana inteiro, ao mesmo tempo que desejava que chegasse a segunda-feira logo de uma vez, para que pudesse voltar a entrar no eixo da rotina, de forma a deixar-me anestesiado disto tudo. Mas já tinha combinado ir ao gym com o M., e depois jantar fora no sábado. E assim fiz. E foi o melhor que fiz. Aliás, quando chegámos um ao pé do outro nesse dia, dei-lhe uma escova para a barba (que ele já tinha reparado na minha, e elogiado), e do nada, ele tira um saco da bagageira e diz: é para ti, e foi por isso que cheguei um pouco atrasado. Quando olhei lá para dentro, soltei uma gargalhada, porque percebi que ele andou atento às minhas stories no Instagram.* E digo-vos aqui uma coisa, que ninguém nos lê: ele é o homem mais fofo que alguma vez conheci na vida. 

O jantar foi super giro. Diferente. Cozinha asiática. Onde ele cozinhou tudo no restaurante, e perguntava constantemente se eu estava a gostar e se estava bem. Sinto que a preocupação dele comigo é genuína - talvez porque nos estamos a conhecer ou porque me quer agradar. Não sei. Não quero saber. Só sei, que quando estou com ele, sinto-me especial. Bem tratado. Valorizado. Com a autoestima em cima. E porque não dizê-lo, feliz. Pelo menos não penso na vida de merda que tenho tido nos últimos tempos, ou de como estou desiludido com tudo. Com as pessoas. Com as situações.  

Ainda fomos beber um copo e conversámos. Entretanto ele estava com sono, e viemos embora. A meio do percurso, até os nossos carros, puxei-o contra o meu corpo, ali, na rua, indiferente a quem olhasse, e beijei-o. Porque ele me excita. Porque ele me trata bem. Porque conheço-o há muito pouco tempo, mas sei que quero que ele fique na minha vida. Seja em que condição for.   

Entretanto, voltei a ter outra sessão com a psicóloga, que me afirmou que não estava com depressão (ufa!), e quando falei do M., ela perguntou-me: não estará a projetar alguma coisa no M.? Uma necessidade de preencher um vazio na sua vida?

Eu sei, que a minha relação com o M. será sempre na base de uma amizade. Especial. Tenho a noção disso. Não só porque saí há pouco mais de 1 mês, de um relacionamento de 14 anos, mas também porque tenho a cabeça toda baralhada e não sei o que quero. Se o tivesse conhecido noutras circunstâncias, o meu comportamento seria muito diferente. Mas as coisas são o que são, e não quero magoar ninguém neste processo. 


*A oferta foi Nestum Proteína e Leite Proteico. AHAHAHA

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

certezas em outubro de 2024

Apesar de querer estar sozinho, sinto-me sozinho. Sinto-me triste e abandonado. Todos têm as suas vidas bastante autónomas da minha, como resultado, não só, por ter estado num relacionamento de 14 anos com uma pessoa, mas também, e como é natural, terem construído os seus próprios percursos. Isto não quer dizer, que negligenciei os meus amigos, mas a verdade é que houve algum afastamento. Porque "estar" com outra pessoa, exigia também dedicação, e por vezes, escolhas. E da parte deles, também. Obviamente. Foi, e é, um caminho de dois sentidos. 

Também, no meu universo de amigos gays, pelo menos os importantes, estou desfalcado. A maioria emigrou. Ou seja, estão longe. E apesar de me dizerem "podes contar comigo para tudo", sei que a distância pesa. É inevitável. É o que é. A juntar a este pormenor, há que referir que o meu "mano", e melhor amigo gay, morreu em 2019. Perda que ainda hoje não consegui processar. Entender. Aceitar. Mas isso irei falar na próxima sessão com a psicóloga. 

Ou seja, vejo-me cada vez mais, com menos tempo. Mais sozinho. Menos perspetivas de ser feliz. Mais distante dos planos e rumos, que imaginei há 14 anos atrás. Ainda hoje dizia ao M. que: "gostaria de ter a minha família, sim. Mas agora ficou mais difícil. Já são 44 anos e fiquei sozinho. O tempo não para, nem volta para trás. Mas pronto". Isto a propósito se gostaria de ter filhos. Ele, fofo como é, tentava animar-me e respondia-me: "menino, nunca é tarde para ter uma família, não sabes o que o futuro te reserva. Não vais ficar sozinho. Pareces ser uma pessoa incrível e quando essa cabeça estiver no lugar, vai surgir outra pessoa na tua vida".  

A verdade é que eu não quero mais ninguém. Nunca mais. Não compensa. A dor não compensa. A dedicação não compensa. A falta de lealdade não compensa. E vamos sempre acabar sós. Sozinhos. Porque confiámos e acreditámos, que um relacionamento pode ser durável, quando sabemos que hoje em dia - e em relações gays - não o é. Será sempre um tiro no escuro e acabaremos sempre na merda. 

E se desta merda toda, há uma única coisa boa, foi ter conhecido o M. E disse-lhe isso mesmo: "estás a ser muito importante para mim". Ao que ele me respondeu: "tu estás também a fazer-me bem. Acredita".