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terça-feira, 16 de maio de 2017

sms's

Tenho a mania de colocar o telemóvel em frente ao meu monitor, e tenho a mania também, de ter as notificações ativadas para tudo e mais um par de botas. 

Ontem, estava quase de saída, quando o meu chefe se lembrou de falar comigo - aliás como tem sido hábito nas últimas semanas, ou seja, só quer falar com a minha pessoa na hora de almoço e quando já estou de saída - e resolveu ir buscar uma cadeira para ficar ao meu lado a dar ordens. Faz assim, faz assado, tenta descobrir isto e aquilo - como se eu fosse um detetive privado - e puxa esta linha e aquela.

Estávamos nesta azáfama, quando cai uma mensagem no meu telemóvel, que estava em frente ao monitor, a dizer "Amor, shopping?" com o nome do miúdo. Eu vi que ele viu, porque causa do silêncio que se fez, e tentei não dar importância à coisa. Contudo, o iPhone, volta a mostrar a mesma notificação após uns minutos, se não tiver mexido no mesmo. Portanto, ele voltou a ler a mensagem e voltou a ficar um silêncio estranho. Mas já não havia nada a fazer. Como dizia o outro "está visto, está visto".

Lição a tirar: tenho quer começar a ter o telemóvel com o visor voltado para baixo, não vá o miúdo mandar algumas sms a dizer "vamos dar uma trancada na Disneyland" e o meu chefe ficar a saber mais do que eu. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

cabelo

Nunca me preocupei muito com a minha queda de cabelo. Aliás, quando era adolescente a questão capilar coloca-se noutros moldes, ou seja, não havia penteado nenhum que me ficasse bem e como tenho dois remoinhos na cabeça, ficava sempre com a cabeleira cheia de "jeitos" quando esta começava a crescer em demasia. Assim, sempre usei o cabelo curto para tentar ter um aspeto decente. Mas nem com gel lá ia. 

Com o passar do tempo, o mundo capilar mudou. Apareceram novos cortes, novas técnicas para moldar o cabelo e novas visões que encaravam este fator como um complemento ao estilo, à roupa, ou à personalidade. Mas eu continuava na minha, até porque fosse qual fosse o penteado que usasse, achava que nada me assentava bem, ou pelo menos como eu queria que assentasse, pelo que sempre odiei o meu cabelo. 

Em 2007 começo a ouvir as primeiras bocas do estás a “ficar careca”. De “lá” para cá (2017) passaram-se dez (curtos) anos, mas o discurso dos outros manteve-se. Tiradas como “estás a ficar careca”, “usa umas ampolas que isso passa”, “olha, rapa tudo” e “estás a ficar com entradas” começaram a ser "dos discos mais pedidos" na minha vida. Chegou a um ponto, que já farto da conversa, respondia de uma forma mesmo simpática. Tipo, já berrava: “foda-se, já sei que estou a ficar careca porque já me disseram isso um milhão de vezes”. 

Se no início, estava-me a “cagar” para o facto de estar a ficar careca, depois com tanto comentário, e tanto bom samaritano a “querer ajudar-me” com o meu problema capilar, comecei a ficar com traumas. Comecei a ver ampolas, a amaldiçoar a genética materna e a rezar para que os cabelos parassem de cair. No extremo, comecei a ver transplantes de cabelo, onde além dos valores exorbitantes que eram pedidos, as experiências que lia embatiam sempre sempre na questão da “dor” nos primeiros meses. E dor é coisa que me incomoda. Sou muito maricas ("yah, rigth") e antes de sentir qualquer coisa, pelo sim pelo não, já começo a tremer e a revirar os olhos. 

No verão passado, vi um gajo todo grosso na praia com o cabelo todo rapado e de barba. Além das pernas pornográficas que tinha, e do rabo em mármore carrara, talhado por um profissional, tinha um ar giro. Simpático. Tinha bom aspeto. Ficava-lhe bem aquele “look”. Comentei com o meu miúdo, e quando chegámos a casa nesse dia, ele pegou na máquina do cabelo e rapou-me a cabeça a “pente 1” - eu pedi, ok?. Deixei ficar a barba para compor a coisa e até nem achei muito mal, o resultado final que via no espelho. Mas passados uns tempos, parecia que faltava ali qualquer coisa. Não sei. Parecia que não era eu e estava a sentir-me desconfortável. Ou se calhar era mesmo aquela sensação de estar a envelhecer, não sei. Ou então cenas da minha cabeça. Não sei. Só sei que estava diferente e talvez por isso não me tenha sentido bem. 

Mas também que alternativas tenho? Ampolas não resultam e acho que é só gastar dinheiro… e transplantes soa-me a dor sem necessidade, além do gasto que isso implica… porque se 5000€ para a primeira intervenção é um balúrdio, imagine-se várias, sim porque para um tratamento eficaz são necessárias várias cirurgias. E a dor? Ó meu Deus, a dor! Prefiro ter prazer a ter dor, porque sempre fui muito picuinhas - ou guloso. Portanto tenho que comer e calar. 

Enfim. Acho que ficar careca é mesmo uma inevitabilidade da minha vida e terei de aceitar esse facto, sendo que culpar os genes do meu avô materno… não me vai levar a lado nenhum. Ou pelo menos que me levasse ao Rio de Janeiro.