sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

monogamia e traições

 Li esta publicação no Instagram...

Fonte: www.instagram.com/psivitorlima_


...e fixei-me neste comentário que lhe foi deixado:


Será a monogamia, heterossexual?  



1| conceitos

A definição de traição é muito ampla. Mas para mim é até muito simples. Ou seja, é tudo aquilo que foge ao acordado, estipulado e definido entre as partes, aquando um relacionamento (seja ele amoroso, profissional, whatever). Se existem regras e convenções, antes que estas sejam quebradas, convém assumir, ou ter noção dos atos que se vão praticar. Se deliberadamente essa fronteira for ultrapassada, intencionalmente ou não, há que ter responsabilidade e ter presente essas consequências. Como em tudo, existe uma escala gradativa, e compete às partes envolvidas decidir sobre o caminho a seguir depois. 

Já a monogamia, num relacionamento afetivo, é o compromisso entre as partes interessadas de que não existe, ou não é necessário, ter outras pessoas externas envolvidas - na componente sexual, romântica, whatever. A monogamia hoje em dia, não se cinge em exclusivo a duas pessoas, devido à multiplicidade das relações existentes. Um trisal pode ser monogâmico, por exemplo. 


2 | motivos de traição 

Existem muitos motivos para uma pessoa trair outra. Até mesmo aqueles que são elencados na publicação, portanto, cada caso será um caso, e considero que deva ser analisado de uma forma individual, e não global. Ou seja, alguém que sai com amigos à noite, bebe uns copos a mais, e acaba aos beijos com um desconhecido, mas que acaba por assumir e responsabilizar-se pelos seus atos, na minha opinião, não pode ser comparado a alguém que todos os dias engata no Grindr, e vai a casa de várias pessoas durante a semana, porque tem "necessidades", mas que guarda segredo disso, porque não quer problemas com o parceiro. Além da origem, a diferença também está no que se faz depois. Na responsabilidade com que se resolve a questão. 

Portanto, sim, a traição, ou melhor, os seus motivos, podem ser distintos, mas isso não significa que são próprios dos relacionamentos LGBTI+, ou que a monogamia é exclusivamente um conceito heterossexual. E chamar de "não monogamia", uma traição, bommmmmmmmmmmmmmmmmmm, já vi desculpas mais elaboradas. Uma traição só se poderia inscrever nesse conceito, se as partes envolvidas estivessem cientes dessas possibilidades, mas se assim fosse, não seria uma traição, certo? 


3 | relacionamentos monogâmicos 

Eles existem e são uma realidade mesmo nos relacionamentos LGBTI+. Ninguém é obrigado a nada, e não existe uma convenção obrigatória para o efeito. Se a pessoa tem uma relação nestes moldes é porque concordou com ela, e sente-se bem nesse contexto. Caso contrário, ou parte para outra, ou assume o que pretende e é honesto. Caberá ao outro lado, aceitar e concordar, ou então, procurar a sua felicidade noutro lado. Seja como for, nada é unilateral, e ninguém pode ser criticado por querer um relacionamento monogâmico, porque os "gays não são monogâmicos". Não podemos ser todos "modernos", certo? 

Pessoalmente, continuo a acreditar em monogamia, embora reconheça que em relações longas, exista desgaste. E quando falamos entre dois homens, essa saturação é ainda mais vincada. O problema não é reconhecer isso, é sim, não falar sobre isso. E decidir as coisas de uma forma solitária, esperando que o outro lado nunca descubra, não é, e nunca foi, solução. Eu apesar de encontrar desejo noutros homens (uma pessoa não é cega) quando namorava, nunca senti a necessidade de ultrapassar essa fronteira. O que tinha era o bastante para mim, e sentia-me realizado com isso. Completava-me, tinha prazer, gostava e mais do que sexo, era mesmo amor. Assim, quando me dizem que uma traição "foi só sexo e não significa mais do que isso", o que pergunto é "mas todos sabem e concordam com esse conceito?", e quando a resposta é negativa, pois bem, então não foi só sexo, foi uma deslealdade para com quem se tem um relacionamento assumido e com quem se deveria ter tido o cuidado de não o/a colocar numa situação, no mínimo, "chata"

grindr´s thoughts

Ontem foi o Tinder, hoje é o Grindr. Não foi nada premeditado, mas vi este conteúdo no Instagram do Ethan (www.instagram.com/ethandressen) e achei que devia partilhar. Então fiz uma adaptação, produzi algo para o Instagram do blogue, e construí este mosaico para aqui: 

Fonte: Namoro(ei) com um Pop Star


Aliás, muitas das coisas que ele refere, fazem sentido. São coerentes e verdadeiras. A procura constante pela validação, consequência de uma avaliação diária a que estamos sujeitos, o agradar aos outros, o sentimento de recompensa, por consideramos que seremos integrados mais facilmente no vertiginoso mundo gay, faz-nos perder o foco das coisas e muitas das vezes de nós próprios. 

Concordam?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

balanços


No dia 4 de junho de 2086 
Talvez possamos sentar-nos 
A falar de quê? Não sei 
Do que fizemos da vida
Se a vivemos bem ou mal 
No dia 4 de junho de dois mil e oitenta e tal 

 No dia 13 de março de dois mil e o que quiseres
 Podes ser tu a marcar 
Podes ser tu a escolher 
Talvez possamos deitar-nos 
A fazer não sei o quê 
Talvez amor com a alma 
Que o corpo já não se vê

 Eu sei, já percebi 
Acabou
 Eu sei, é sempre assim 
Mas ficou 
Aquilo que te dei
 E o que me deste a mim 
Também o que não dei 
Foi assim 

 Se achares que é tarde demais 
Pode ser quando puderes 
Por mim é já esta noite 
Num jardim de malmequeres
 Ou no meio da avenida 
Deserta ou com multidão 
Já pressenti o momento 
Já quebrei a ilusão 

 Eu sei, já percebi 
Acabou
Eu sei, é sempre assim 
Mas ficou 
Aquilo que te dei 
E o que me deste a mim 
Também o que não dei 
Foi assim 

 A 29 de agosto de dois mil e o que entenderes 
Talvez possamos olhar-nos 
Como da primeira vez 
Contar a história de novo 
Mudar-lhe só o final 
Se não puderes nessa data 
Pode ser noutra, que tal? 

 Se não puderes nessa data 
Pode ser noutra, que tal?


 Música e Letra: Augusto Madureira:  

notícias

 Às vezes, nem sabemos a sorte que temos, pelo nosso modo de vida.

 Nem damos valor à nossa Liberdade. 


Fonte: Expresso
>>> Para ler notícia, é só carregar em cima da imagem/título.

constatações

Fui tomar café com o MP e só posso concluir o seguinte: se não aconteceu no passado, não será agora no presente (ou até mesmo num futuro, mais ou menos, longínquo) que a coisa se poderia dar. Nem sei explicar muito bem o porquê, de me ter interessado por ele, há quase 20 anos. Por ser mais alto? Por me excitar? Por ter aquele ar de hétero, machão? Ou porque estava carente na altura? A verdade, é que depois nos nossos cafés, resultantes da nossa reaproximação - porque ficámos ambos solteiros, vejo que temos muito pouco em comum. Aliás, somos tão diferentes, que nem sequer percebo a minha "embirração" por ele.  

Após ter lido este texto no blogue do Francisco, onde ele deixa esta questão pertinente "Que sentido faz ir beber um café ou encontrar-me com alguém do meu passado, passados 3 meses, 6 meses, 9 meses, um ano ou mais?!", que fiquei a pensar nos motivos porque mantenho contacto com o MP. Eu sei que ele me continua a excitar e que não seria sacrifício nenhum ir para a cama com ele. Mas... fará sentido? Sabendo eu, que não iria querer mais nada com ele, sem ser isso? E que ele também não iria querer ter um relacionamento comigo, porque não há compatibilidade? Ou devo estar com o homem errado, se isso eventualmente acontecesse, até aparecer o certo? Não sei responder a isto. O que sei, é que estou com fome e vou comer qualquer coisa que tenha ali na cozinha, mas que não fure a dieta. Até já.  

correspondências

Para que é as pessoas usam o Tinder, fazem match e depois calam-se para sempre? É para colecionarem cromos? E o que acontece quando tiverem a caderna completa? Vão bater uma para o jardim?

Enfim, há que assumir que os homens vão ser eternos adolescentes, sempre com a “tal” dificuldade em serem honestos. Não só, porque a honestidade dá muito trabalho e exige responsabilidade afetiva, mas também, porque os homens, bom, os homens gay, querem é todos os dias novidade e um gajo diferente - porque nunca se sabe se não poderá aparecer alguém melhor amanhã

Há umas semanas atrás, estava a ouvir um vídeo de um locutor de rádio, gay, que falava sobre os "matches" do Tinder, e teorizava ele que, bom, as pessoas tinham de aceitar, que às vezes dá-se "like" por engano, e que a pessoa não queria dar, e depois desfaz a correspondência, e tal, e que as pessoas não tinham que ficar chateadas, porque acontece. Bom, como dizer isto de uma forma simples e clara? Não amigo, não acontece. Ou melhor, pode acontecer, mas se isso se torna um hábito, sei lá, só para ver se agrada a terceiros, isso já patológico. Se as pessoas não têm capacidade, e lá está, responsabilidade afetiva, o melhor é não se meterem em aplicações de "dating", porque nunca vão ser capazes de assumir o que quer que seja, e mais do que isso, não vão ser capazes de se empáticos ou ter o cuidado de não magoar os outros. Porque o seu narcisismo estará sempre em primeiro lugar. Eu, eu, eu, eu e eu. 

Portanto, caro "famoso", não vamos desvalorizar um gesto, que não é tão simples quanto isso, nem sequer é inocente. Lá porque és giro e gostoso, isso não te dá o direito de considerar que estás "acima da cadeia alimentar", e assim, desculpar comportamentos quase tóxicos, porque estamos a falar de pessoas, de sentimentos de pessoas e expetativas de pessoas, sendo que esses comportamentos "sem mal nenhum", podem quebrar alguém para sempre, evitando que no futuro, esse alguém consiga desenvolver um qualquer relacionamento afetivo com alguém.  

Ter palco mediático, não nos permite partilhar qualquer merda que pensemos e nos passe pela cabeça no imediato. Há que ter cuidado com a mensagem que se transmite e ser criterioso com o que se diz e faz. Porque se não for para acrescentar algo positivo, vale mais ficar quieto. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

dietas e afins

Estou com fome e estou aqui a aguentar, heroicamente, para não comer o lanche que trouxe, porque hoje há mais um bolo de aniversário, aqui no trabalho. Já é o segundo esta semana. Eu bem tento seguir a dieta, mas está difícil. Não há barriga que aguente. Entretanto fui ao dentista e lá gastei mais 300 mocas. O aviso para a revisão do carro disparou, e como tal, mais dinheiro irá sair nos próximos dias. Continuo solteiro, e a ideia de namorar um mecânico ou um dentista, a cada dia que passa, ganha mais vontade para que aconteça. Ou isso, ou é o desespero a falar. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

resumos

Então, então, parece que chegou uma espécie de primavera, e há que aproveitar enquanto dura, até porque não sabemos de facto, quando tempo irá durar. Mas vamos por partes, e talvez comecemos pelo aspeto mais escaldante que poderia ter definido o meu fim-de-semana. Ou seja, o "date"

E que "date"? O "date" que não chegou a acontecer. Como não chegou a acontecer, o meu fim-de-semana foi caracterizado por estar com amigos, ginásio e Festival da Canção. Primeiro, devo esclarecer que fui eu que desmarquei o café que estava apalavrado. Não estava no mood, não estava com paciência para ser avaliado e não estava com disposição para ser encantador, ter assunto e exibir uma conversa interessante. A verdade, é que não me estava a apetecer sair de casa e encontrar-me com alguém com quem falei apenas meia dúzia de vezes nas redes sociais. Além do mais, acho que a pessoa em causa, queria mesmo, era comer-me o pito (parece que virou moda, *revirar os olhos*), e eu, não estou de momento, nessa linha de pensamento. Talvez esteja um pouco assexuado. Ou a chocar uma depressão valente. Ou whatever. Ainda não aferi bem o problema. 

Portanto, e resumidamente, fui almoçar com amigas, fui a um aniversário de um grande amigo, fiz uma caminhada pelo Parque das Nações, fui ao ginásio sábado e domingo, e assisti àquela cena deprimente chamada "Festival da Canção", que se arrisca a ser a pior edição dos últimos anos. Confesso que não consegui assistir até ao fim e fui ver um filme. Entretanto o PM mandou mensagem para irmos beber um café esta semana, dei match no Tinder com um rapaz que me ignora no Instagram (e a quem já convidei para beber um copo, e recusou) e recebi um contacto de um rapaz que me deixou de falar, para "ir ter a casa dele, já" (que não fui, e sinceramente quero que ele vá cagar). Ah e o MJ deu-me uma palmada no rabo no ginásio. 

Bem, ia dizer que tinha tido um fim-de-semana tranquilo, mas ao reler o que escrevi, pelo menos existiram muitas reviravoltas inesperadas. E por ai? Tudo tranquilo? Ou querem confessar alguma coisa? Podem fazê-lo de forma anónima no separador criado lá em cima, ao pé do cabeçalho do blogue. 

Perguntas que ficam:

1. Quando é que o café com o MP vai acontecer?

2. O gajo do Tinder... será que vai avançar e fazer conversa? Ou ficará no ignore?

3. Irei ver a próxima semifinal do horripilante, Festival da Canção? 



Seja como for, vou mas é almoçar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

sextas-feiras

Falta de paciência (e de descanso). Acho que deve ser mais ou menos isso o que se passa. Estou constantemente a pegar-me com o meu chefe (porque é como a série: "Chefe, mas pouco"), fervo logo em pouca água e esgotei o plafond para aturar merdas (merdinhas e afins). Basicamente precisava de férias, mas parece-me que estou a ser um tanto fútil, considerando com o que se passa em Portugal e no Mundo. Há vidas piores que a minha e parece que estou a cuspir para o ar. E não estou.  

Tenho saudades daqueles tempos, em que as minhas maiores preocupações, era saber se iria sair para o Bairro, ou não. Ou para o Trumps, ou Indochina, ou Buddha Bar, ou Maria Lisboa ou Plateau. Mas hoje, só pretendia mesmo, mesmo, atirar-me para a cama e dormir até às 15h de amanhã - sabendo eu, que isso será impossível. Para este fim-de-semana, já tenho combinado um brunch com amigas, aniversários de amigos (a que não posso faltar), e talvez vá conhecer uma pessoa, na base da amizade - embora eu ache que o rapaz quer é outras coisas, que não lhe vou dar. Mas trocava isto tudo de bom grado, por um pão com chouriço, um arroz doce d'A Merendeira e um fim-de-semana inteiro sem sair de casa. Mesmo com sol. 

Ao menos ando bem comportadinho no ginásio e estou a conseguir ir 7 vezes por semana - embora a barriga teime em não emigrar. Julgo que com esta prática de exercício físico e os comprimidos do colesterol, já devo ter indicadores de um puto de 20 anos. Caso contrário, estarei bem lixado (para não escrever super fodido). Mas um tipo faz  que pode, e aos 45 anos, mesmo que queira, não pode/fode assim tantoooo. Seja como for, já sabem: pão com chouriço e um arroz doce d'A Merendeira. Mesmo que isso anule algum efeito dos treinos que tenho feito. 

Eric Dane

Estava a acordar, por volta das 5h50m, quando vi a notícia no telemóvel: "Morre aos 53 anos, vítima de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Eric Dane. Deixa duas filhas". Porra, pah. Tão novo. A sério. Uma qualquer morte, choca sempre, mas aquelas que ocorrem quando a pessoa é nova, ou seminova, choca ainda mais. 

Os mais distraídos, talvez não se recordem dele em Anatomia de Grey, onde tinha a alcunha de McSteamy, mas se recuarem um pouco na memória, vão encontrar a referência. Esta personagem, e ator que lhe emprestava o físico, era mesmo o estereótipo de gostoso, giro e bonzão (que o era efetivamente, a 200%, em ambos os casos), não sendo isso porém, suficiente, nem para a personagem, e infelizmente nem para ator, argumento para evitar o seu desaparecimento. 

Fonte: Getty Images / Momodu Mansaray

Bem sei, que nestas alturas, falamos que devemos valorizar mais o que temos, os nossos, e a nossa vida, recuperando os clichés utilizados sempre que alguém morre, sendo que depois, no amanhã, voltamos o mesmo rame-rame quotidiano que nos destrói. Mas isso não retira verdade a estes pensamentos pré-concebidos. A vida passa a correr, indeed, e estarmos focados em coisas tontas, só nos mostrará mais adiante, o tempo que perdemos. A beleza acaba. O corpo trabalhado e escultural, desaparece. E a mágoa que não evitámos, será devolvida mais tarde ou mais cedo. Não percamos tempo com merdas, e não deitemos fora, pelo nosso percurso, pessoas e ações, só porque sim. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

boa noite

E agora vou preparar-me para ir dormir, que isto não é vida para ninguém. E "isto", entenda-se como blogue. Parece-me que estou nos velhos tempos (lá velho estou eu), onde inundava a blogosfera com publicações de 5 em 5 minutos, e as pessoas diziam para criar um perfil no Twitter (agora, X), que fazia render mais o peixe. 

Seja como for, a vontade de ser bloguer e partilhar cenas (sérias e parvas), voltou. Vamos ver até quando. Se calhar não posso é ter uma vida sexual demasiado intensa, porque talvez seja esse o segredo para ter tanta coisa para partilhar (AHAHAHA). Too much information, I know. 

Bem, já chega de parvoíce por hoje. Até amanhã pessoas desse lado. Se estiver alguém por aí, como é óbvio. 

rejeição

Volto sempre a este tema, porque acho importante ter presente, que ser rejeitado nunca é assim tão óbvio. Às vezes, perdemos demasiado tempo da nossa vida a elencar motivos e elaborar listas de defeitos em nós, quando algo pode ser tão simples, ou tão fútil, como não ter a "cor certa". Mas para não vos maçar sobre o assunto, uma vez que o mesmo é recorrente, podem reler o que escrevi aqui

Hoje, apenas partilho, um pensamento tão simples, mas tão complexo, que define na perfeição aquilo que tento transmitir há décadas. Obviamente, que os olhos do miúdo me deixam hipnotizado, mas isto não é sobre a cor dos olhos. Ao contrário de mim (não sei quê Frei Tomás, prega e não sei quê faz), tentem não ser tão duros convosco, sejam mais gentis e compreensivos, porque um "não", uma "nega", um "chega'pra'lá", na maioria das vezes acontece para vosso (meu) bem. Embora nem sempre seja compreensível no momento. 

[carregar na imagem para ver o vídeo]

Fonte: TikTok Luís Miguel

ressacas

O meu corpo está a ressacar os pills dos últimos dias. Encostei-me para ver o primeiro episódio de uma série da RTP, "Refúgio do Medo", e adormeci duas vezes, das duas vezes que tentei. Não é a série que me dá sono (até porque tem muita qualidade), é mesmo o meu corpo a dizer-me que estes últimos dias foram bastante duros e que precisa de descanso. Mesmo com não-sei-quantos cafés em cima. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

homem ideal

Tendo em conta o meu passado recente, não-vou-mexer-uma-palha em relação a homem* nenhum, a não ser que ele: 

- seja mais alto que eu (o que não é difícil, porque tenho 1.69); 

- seja musculado/definido de corpo; 

- goste de ir ginásio, mas não comigo; 

- tenha olhos claros, podendo ter cabelo loiro ou não (fetiches tótós), 

- que se ria das minhas piadas parvas; 

- goste de dançar; 

- goste de música (sem preconceitos); 

- goste de comédias românticas; 

- goste de ir museus de arte (de qualquer tipo); 

- goste de História; 

- goste de ler romances históricos; 

- adore viajar; 

- seja tarado q.b. e não seja assexuado; 

- seja capaz de dialogar, falar e ser honesto sobre as coisas; 

- e que não largue a mão na primeira dificuldade (incluindo doenças graves). 


NOTA: Eu sei que ninguém quer saber disto para nada, mas fica já o aviso à navegação ou a hipotéticos pretendentes. 


EDIT: 17h00m | 18/02/2026: convém ter umas das profissões mencionadas AQUI


*Esta é apenas uma publicação parva, com o objetivo apenas de entretenimento, até porque, quase aos 46, anos sei que não se encontram pessoas por listas. É apenas um exercício pessoal fútil, mas também assim, tenho a certeza absoluta que não entra mesmo, mais ninguém na minha vida. ESTOU FARTO! Ah e nenhum dos meus ex-namorados corresponde a 100% do que descrevi - até eram todos diferentes entre si. 

blogo

Andei hoje, nos confins da blogo. Credo. Está tudo morto. A quantidade de blogues ao abandono é assustadora. Bem sei que hoje tudo se passa nos Instagram's e TikTok's desta vida, porque passou tudo a ser muito mais visual, imediato e descartável, mas ainda assim, continuo a achar poucochinho. Continuo a considerar que todos merecemos mais. Mais conexões. Mas empatia. Mais conversas reais, desprovidas de interesses escondidos, mais séries românticas e menos porno. Contudo, isso não quererá dizer, que não exista espaço nas nossas vidas para coisas mais mundanas, apenas quero demonstrar que essas mesmas coisas não devem ser o farol que nos guia. Pelo menos, eu, penso assim. 

Voltando à blogo. Por curiosidade, regressei ao blogue da Pipoca mais Doce, cuja última publicação data de 2 de maio de 2024, com um singelo "Buh!". Antes disso, a publicação imediatamente anterior que podemos ali encontrar, acontece a 8 de março de 2021. Talvez tenha sido por esta altura, mais ano menos ano, que a blogosfera começou a morrer de vez. 

Quando iniciei este projeto em 2012, e andei a pesquisar blogues para seguir, dentro da temática LGBTI+, verifiquei que não existiam muitos, sendo que outros tantos também tinham sido abandonados até então. Curiosamente, os sobreviventes em 2026, são aqueles que comecei a seguir em 2012. O Mark, o Francisco e o Silvestre. Antes deste três, seguia o Limite do Oceano (noutro blogue) e o we'll always have paris, do Pedro, que entretanto também deixaram de escrever. Eu sei que o tempo não volta atrás, mas o que me apaixonava nos blogues, era a realidade com que se partilhavam momentos pessoais, muitos sem expetativa de reação, mas quando esta acontecia, era gerada uma "conversa", um "debate",  que enriquecia quem participava ativamente ou quem apenas era espetador. Às vezes nem era preciso escrever um tratado, bastava um desabafo, como este que partilho abaixo da Pipoca, atual (apenas sobre a chuva) nos dias de hoje:

Fonte: Blogue Pipoca mais Doce


E vocês? Saudades da antiga blogosfera? Ou nem por isso?



desabafos

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhh! E antes de ir comer o meu bife de frango grelhado com arroz branco, só um pequeno desabafo: ter "dates" e conhecer pessoas, com a minha idade (quase 46 anos), é uma merda. Os nossos referenciais são outros, as nossas formas de ver a vida também, e a paciência para aturar merdas nem se fala, sendo que hoje em dia, gays para conhecerem outros gays, sem ser para sexo, é uma aventura. Quem diria que seria tão difícil arranjar amigos nesta fase da vida. Portanto, quando a psicóloga me perguntou se eu me sentia "diminuído" face aos outros, acho que lhe devia ter respondido que não, que apenas sinto que não tenho nada em comum com os gays. Pelo menos em Portugal.     

quotidiano pós-carnaval

Graças à medicação (para as alergias), ando com um humor de cão. Eu bem aviso as pessoas, mas estas acham que não estou a falar a sério... e depois ficam surpreendidas com as respostas. Sou mesmo um tipo intragável quando estou assim. Mas o que fazer? É esperar que o efeito passe. 

Ontem tive mais uma sessão de terapia, e estava com algum receio de como me iria comportar, tendo em conta o que contei no parágrafo precedente. Avisei logo a psicóloga ao inicio "do evento", não fosse dar uma patada, assim do nada. E é claro, que a meio da sessão, já estava a ficar em ponto de rebuçado com as coisas que ela me dizia, e as 1000 perguntas sobre o mesmo tema, mas mesmo assim até que aguentei bem. Mesmo depois dos 30 minutos de atraso face à hora marcada da consulta. Mas retive parte da mensagem de que "eu me contentava com pequenos sinais, que me davam esperança, mesmo eu dizendo que não queria mais" e que "a ansiedade mata. Estás a ouvir, a ansiedade mata!".  

Entretanto abri o site da TAP, e marquei uma viagem no primeiro fim-de-semana de julho para Madrid (coincide com o Pride). Só não reservei alojamento, porque está tudo pela hora da morte. Bom, mas irei? Em julho veremos. 

E agora vou almoçar, não porque tenha muita fome, mas porque tenho de cumprir as calorias da dieta. Volto mais tarde. Voltem também. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

segunda-feiras

Sobrevivi ao fim-de-semana! Quer dizer, mais ou menos, porque acabei por ficar constipado e já estou a comprimidos. Uma pessoa nunca pode dizer que está bem... Fónix.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

sexta, treze

E chegámos, a uma sexta-feira, treze. Para o mês quem vem (março), chegará outra. Só não estará colada ao dia dos namorados, que é já amanhã. Portanto, o drama será menor. Mas será mesmo? 

Não será isto tudo, um sinal divino? Será que os solteiros, não devem ter um especial cuidado com os gatos que lhes vão aparecer à frente? Não vá ser algum gajo do demónio, disfarçado? Pelo sim, pelo não, vou mas é ficar fechado em casa, para não ter o azar de ceder a alguma tentação, mais ou menos, avisada. Porque de gajos giros, perdão, gatos, anda o mundo cheio. E não é necessariamente uma coisa boa. Mas também, seja como for, sempre fui mais uma "dog person". Ão, Ão. 

Assim sendo, deixo ficar uns votos de Boa Sorte, para quem andar por ai, hoje, à noite, a fazer cenas mais-ou-menos condenáveis. Ai espera. Rewind. Não posso escrever isto, porque me vão acusar logo de ser conservador. Bom, façam o que façam, façam-no de uma forma consciente e que vos garanta alguma felicidade. O resto é conversa. Até porque também, neste fim-de-semana, começa o Carnaval... e nesta quadra já se sabe... ninguém leva a mal. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

datas

Uma pessoa entra na blogosfera, e os resistentes aqui do pedaço, fazem publicações para me relembrar que amanhã será sexta-feira 13, e que no sábado, 14, é dia dos namorados.

*Ex-Namorado a revirar os olhos* 


Vocês só me dão notícias tristes, pah

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

números

 O blogue em números no Instagram.

carolina cardetas - poetas

"Isto" está muito acima da média.

dúvidas

 Noutros tempos existia o Manhunt

Agora existe o quê?* 



É para um amigo. 



*Sem ser o Grindr ou o Tinder, ou outra merda acabada em inder.

estados

Existem os politraumatizados, e também, os gay´traumatizados, que é o meu caso concreto.


Achei por bem partilhar, este meu pensamento, mais ou menos profundo.


Bom dia! 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

bad bunny's | super bowl halftime show


Gostei. Mas pelo hype, esperava mais. 


Podem assistir AQUI! 


mensagens

 Entretanto, recebo a seguinte mensagem no Grindr:

- Olá tudo bem? Que procuras?


Como pessoa educada que sou, respondo: 

 - Tudo bem e ctg? Não procuro nada para já, nem no imediato. 


*Block* 


THE END.


desabafos - exposição corporal

A blogosfera está mesmo a passar um período muito penoso, com falta de projetos que a mantenham ligada à máquina. Vivemos sem dúvida, e como já escrevi imensas vezes, numa época que a imagem é tudo. Aquela "cena" de que os "olhem comem" é tem dúvida o mote para esta nova era. Não é de estranhar portanto, que a blogaysfera também tenha acompanhado a tendência geral e se tenha espalhado pelo Instagram, OnlyFans e Twitter. 

Além de ser uma pessoa muito visual (sempre o fui), também sou muito voyeur, mas consciente disso, e contra mim falo, tenho que aceitar que já estamos a entrar no exagero da "coisa". A nossa capacidade de imaginar e fantasiar, está a ficar comprometida. O erotismo está a perde-se na espuma do óbvio. Porque além da preguiça mental, que nos começa a invadir (e portanto acabamos por perder qualidades em dissecar os assuntos), a indiferença começa a ganhar terreno. Ou seja, aquela crush do Instagram por quem nós suspiramos, mais tarde ou mais cedo, ou acaba toda despida no Twitter ou no Onlyfans. Ou nos dois. Sozinha ou acompanhada. E nós, apenas conseguimos pensar; "ah sim, mais um", perdendo-se assim, um qualquer interesse utópico e/ou platónico, porque aquele momento de imaginação mais atrevida acaba por desaparecer para sempre. Está visto, está feito, está "morto"

Uma das pessoas que mais tem resistido, a este mundo fácil do dinheiro e adoração social, é o israelita Eliad Cohen. Talvez por isso, a capacidade de imaginar o que esconde a sua sunga, o tenha aguentado tanto tempo na ribalta. Parece-me que no dia que o seu "pito" for revelado, acabará por diminuir o interesse no que à fantasia diz respeito. Ou pelo menos, se a exposição corporal for controlada, poderá garantir uma maior base de fãs - mesmo com a ajuda de um nude ou outro. Mas se for algo continuado, e com uma dimensão cinematográfica de filmes para adultos, acho que poderá ser um efeito de indiferença. Acabará por ser apenas mais um, num mundo onde todos batalham pela mesma audiência - mas que atingirá um ponto que não chegará para todos. E embora seja algo que ache que nunca faria, não sei o dia de amanhã - e como não quero ser como aquele personal trainer gay português pseudo-famoso das redes sociais, que afirmou em tempos que "o OnlyFans era para atores pornográficos de 5€", e onde acabou por se estabelecer com o namorado a fazer também esses filmes caseiros - não quero cair no erro de dar lições de moral. Cada um sabe de si.   


Mas as perguntas que ficam são: será que a fantasia e a capacidade de imaginar, ficam comprometidas com tanta exposição corporal, ou apenas faz aumentar o desejo? Não será melhor salivar pelo "presente", para desembrulhá-lo na altura certa? Ou será indiferente? Ou mostrar só às pessoas certas é que fará sentido? Ou mostrar a toda a gente, desde que se pague, porque toda a gente tem um preço?   

only-cenas


"Portugueses gastam 22 milhões de euros no OnlyFans em 2025".


in Jornal Expresso, 08/02/2026 


Se eu tivesse alguma coisa para mostrar, se calhar ainda arriscava. É que isto de trabalhar para aquecer já teve os seus dias. E 22 milhões de euros, é muito euro junto. 

resultados eleitorais - presidenciais 2026

Ontem ganhámos um balão de oxigénio, e talvez uma breve pausa, para tentar perceber para onde vamos, porque se conseguiu evitar que a extrema-direita abarcasse o mais alto cargo da nação. Não quer isto dizer, que "estamos safos", mas sim, que conseguimos uma janela de oportunidade para a nossa democracia. Que há tempo de emendar a mão, ainda por cima, em tempos tão confusos como estes. Assim, a eleição de António José Seguro, e a percentagem que alcançou, demonstra que a maioria dos portugueses continua a preferir viver numa democracia imperfeita, do que no hall de entrada de uma ditadura, onde ninguém sabe muito bem o que poderia acontecer. Principalmente para as minorias. 

Sobre o novo Presidente da República eleito, parece-me ter uma qualidade essencial, que é a empatia (muita até) pelo próximo. Caraterística fatal, contudo, noutros cargos, como por exemplo, no de Primeiro-Ministro. Aliás, continuo convencido de que, António Costa, era a única solução possível para o Partido Socialista naquela altura, e que AJS não tinha perfil de liderança de um partido político ou até mesmo de um Governo. Nós não nascemos para saber fazer tudo ou estar em todo o lado da mesma forma. Portanto, acho que AJS daria um mau Primeiro-Ministro, mas que reúne as condições necessárias para ser um bom Presidente da República, mais na linha de Jorge Sampaio. A mim, sempre me deu vibes disso. 

Agora quando me dizem, que AJS não tem pulso, que é fraco, que as pessoas se queixam e depois votam nos mesmos e que "a mama vai continuar" (como escreveu uma vizinha minha no Facebook, apoiante declarada do Chega, mas que não tem onde cair morta e se não tivesse sido o SNS teria morrido aos 12 anos)... bom, na democracia plena, por vezes, não há o candidato ideal (não há em lado nenhum, by the way), mas sim a única opção ou uma escolha óbvia entre a decência e ódio. 

Julgo que será fácil para muitos, criticar as escolhas dos outros (como esta) com insultos (porque não o conseguem fazer de outra forma), principalmente aqueles que vivem no estrangeiro e usufruem do estado social dos países que os acolheram (como na Suíça ou Luxemburgo), ou serem contra os direitos LGBTI+ e votarem contra o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, utilizando este instrumento anos mais tarde com os seus parceiros (como por exemplo, Paulo Rangel) ou até mesmo, exigir aos outros aquilo que não exigem a eles próprios. Contudo, aqui, gostaria de ver aplicada a velha máxima que tenho há anos, e que utilizo: faz aos outros, aquilo que gostarias que te fizessem. Até porque a empatia pelos outros, é aquilo que nos distinguirá da irracionalidade, da raiva primária e da indiferença. Sim, só mesmo o amor nos pode salvar.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

sábados

Bem, sábado. Acordei às 8h, sobressaltado por uma questão de trabalho e só pensei "fiz merda". Corri para a plataforma e fui confirmar que tinha feito tudo bem. Aliás, como quase sempre. Mas como ando numa fase, em que estou super desmotivado, às vezes não sou tão perfecionista como costumo ser. Regressei para a cama mais aliviado (entretanto passei, não na casa partida, mas na casa de banho AHAHAHA) e voltei a adormecer.

Despertei às 11h00m, enfiei-me novamente na casa de banho, dei um jeito na barba, rapei o cabelo (a maioria dos homens quando chegam a uma certa idade rapam a cabeça e as mulheres ficam todas loiras, não sei se já repararam) fui almoçar com os meus pais, e agora aterrei no computador um bocadinho, para ver o que se passava nesta blogosfera "quase-morta"

Entretanto, combinei ir ao ginásio com o M. e depois lanchar, mas a minha vontade é ficar mesmo em casa no quentinho, a comer porcarias e a ver filmes e séries. Aliás, já não tenho um fim-de-semana em casa "de entrar à sexta-feira e sair segunda de manhã" faz séculos, porque me tenho obrigado a sair sempre. Sempre. Nem que seja ir ao ginásio, às compras ou fazer algum recado para a minha mãe. Não quero ter a cabeça muito tempo desocupada para pensar em coisas que não devo. Já basta o que basta, quando estou a conduzir, e sozinho no carro, a minha mente se desliga do corpo e começa a reanalisar tudo, a arranjar teorias mais-ou-menos conspirativas de tudo o que me aconteceu. Ao menos as noites com pesadelos estão cada vez mais espaçadas.  


E o vosso sábado, como está? 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

pessoas do passado

Hoje fui almoçar com uma pessoa do meu passado, super importante na minha vida, mas cujo afastamento acabou por acontecer, nem sei bem explicar o porquê. Embora já não estivéssemos num contexto semelhante faz anos, parece (pelo menos para mim), que o tempo não tinha passado nem um segundo. Falámos de nós, de outros, e atualizámos o nosso percurso até aquele momento. Perguntas foram feitas, esclarecimentos foram prestados, e embora tivéssemos pensamentos diferentes, algumas conclusões bateram certo. Gosto de pensar que a amizade é assim. Ou seja, na diferença existe espaço para a concordância de coisas. Aliás, nós não somos boas ou más pessoas - não é assim tão linear. Somos um somatório de virtudes e defeitos, que aos olhos dos outros, podem considerar valer a pena estarmos na sua vida ou não, dependendo sempre daquilo que terá mais peso na balança das relações entre indivíduos. 

Não sei se ele vai ler este texto. Em tempos foi leitor deste blogue e incentivava-me a escrever e a partilhar coisas. Até existem vários textos sobre ele, nos arquivos deste espaço, porque lá está, tinha muita importância no meu percurso pós 2012. Mas a vida é feita de encontros e desencontros, e as pessoas, aproximam-se e afastam-se consoante as vibes que se encontram a viver no momento. Não sei se ficou chateado comigo por alguma coisa que tenha feito - ele diz que não, mas seja como for, eu sempre estive onde estive, e estarei sempre disponível para o que ele precisar (só não me peça é dinheiro, que estou nas lonas AHAHAHA). Mas o importante também não é isso. O que importa aqui destacar, é que este encontro ficou gravado nas minhas memórias e ficará inscrito também, na pele deste blogue. Porque ao fim ao cabo, ele será testemunha da minha presença na blogosfera. 

perguntas

Pergunta o Mark "Porque é que os gays são assim?" Assim, a quente, e no imediato, respondo: porque só pensamos com a pila. Estarei a exagerar, claro está. Mas a verdade não foge muito disso. É certo, que existem pessoas responsáveis, que sabem estar em relacionamentos, que procuram estabilidade e querem um futuro em conjunto. Sim, essas pessoas, existem. Mas não são a maior parte. A maioria pretende ter uma vida livre de responsabilidades afetivas, ou de outra qualquer espécie, porque o que interessa é aproveitar o momento. É aproveitar o jeitoso X e Y, mesmo que ele namore, mesmo que o namorado não saiba, mesmo que falemos com o namorado e fingimos não saber de nada. E antes que me chamem novamente de "conservador", isto não tem mal nenhum, desde que (há sempre um "desde que") se seja honesto consigo mesmo e com os outros - o que não acontece em muitos casos

Pessoalmente, tenho Grindr e utilizo-o. Assumo. É a minha forma de conhecer pessoas. Apesar de nunca (e sublinho o nunca) ter conhecido ninguém por lá, continuo a utilizar (cada vez menos) na esperança vã, que um dia perca a virgindade nesta aplicação. Porque como tudo é para ontem, e eu sou um tipo que precisa de envolvimento sentimental para fazer o que quer que seja, aquela aplicação não terá grande utilidade. Aliás, dizia-me um miúdo com quem falo por mensagem (que conheci no Tinder, mas ainda não ao vivo) que "isto tornou-se tão fácil de ter sexo com alguém, que depois ninguém faz nada, pela dificuldade de como tudo se processa". Ele chamava-se a atenção para o período avaliativo, a que todos estamos sujeitos nestas aplicações. São as fotos em que pensamos estar bem, e que achamos que vão agradar a terceiros, os registos sem roupa, a voz, etc, tudo serve como item de aceitação ou rejeição, e tudo se processa virtualmente - quase como se fosse uma compra online. Hoje em dia, ir a um bar, a um restaurante, ou simplesmente interagir com alguém na rua, através de um olhar, um sorriso, um olá, tornou-se desatualizado face aos tempos que correm. De repente, "isto tornou-se tão fácil", que tornou tudo ainda mais complicado. 

declaração de voto

Podem dar as cambalhotas que quiserem, mas uma coisa nada tem a ver com outra coisa. Seguro não é Ventura, e um democrata não é um autocrata. Portanto tenho alguma dificuldade em perceber alguns liberais, quando manifestam dúvidas sobre onde deve recair o seu voto, a não ser, que perfilhem também, as ideias absolutistas dos salvadores da pátria e de "quartos pastorinhos" de Fátima. 

Claro que muitos têm opiniões diferentes sobre este assunto, e algumas a roçar o insulto pessoal, mas acreditem que viver em liberdade total, onde possamos ser nós próprios, é algo que não tem preço. Portanto, e embora torça um pouco o nariz a gays de direita, não consigo mesmo perceber gays de extrema-direita, quando a génese dessa "matriz ideológica", os considera aberrações e não conta com eles para a formalização da sociedade ideal, que tanto querem construir. 

Também considero, que o centro-esquerda (português e mundial) perdeu o foco no essencial, e permitiu-se a assuntos menores, que apesar de terem importância nalguns casos, não devem ser tratados como causas absolutas. Mas sobre isso, falaremos noutra altura, que não esta. 

Sedentos de poder e de ódio, a cartilha da extrema-direita tem vindo a afinar-se de dia para dia, levando a que muitos considerem que esta é solução - bem sei, porque tenho familiares diretos, que dizem "que ele até diz umas verdades" e que isto "precisa de um abanão". Mas não é. E a realidade dos nossos dias, vai comprovando isso. A diferença, é que temos de dar oportunidade ao tempo, de mostrar a todos e a todas, o que é efetivamente aquele projeto é. E para não cansar muito, a quem por aqui se encontra a ler este texto, vou apenas deixar ficar cinco breves considerações, que são facilmente desmontadas, por quem se permitir pensar um bocadinho

1. Foram 50 anos de corrupção. 

Bom, na prática foram 50 anos de liberdade coletiva e individual, desenvolvimento económico e de aproximação aos países mais desenvolvidos da União Europeia. Se existem casos de corrupção? Óbvio. Também os existiam no tempo do Senhor Salazar. A grande diferença é que nas democracias evoluídas, isso pode ser combatido, num regime autoritário não. Para além disso, é de entender que o André Ventura, militou num dos "partidos do sistema" 18 anos, e enquanto profissional ajudou muitas empresas a evitar o pagamento de impostos. Aliás, já começam a aparecer casos de corrupção dentro do partido Chega, que serão maiores, quanto maior foro crescimento deste. 

2. O PSD é o PS2

Não são. São diferentes e defendem posições distintas em muitas matérias, por exemplo no casamento de pessoas LGBTI+. Claro que têm posições convergentes, porque ambos se inspiram na matriz da social-democracia europeia, e disputam eleitorado no centro político, onde a maioria das pessoas se define e situa. Estes partidos, embora se assumam pela integração europeia, não concordam com o peso do Estado deve ter na economia, nos direitos laborais ou no Serviço Nacional de Saúde. Portanto, é só desonesta esta comparação, cujo objetivo é apenas enganar as pessoas. 

3. O PS é o partido dos pedófilos 

O Partido Socialista é um dos maiores partidos da democracia portuguesa. Portanto, tem muita gente e é muita gente. Não são todos iguais e não são todos pedófilos. Aliás, se a pedofilia fosse sinónimo exclusivo de um partido político, estávamos nós bem, porque sabíamos como combater este flagelo. Mas as coisas não funcionam assim, e não basta "ter a cara de pedófilo". Tanto assim não é, que o partido Chega, que enche a boca para fazer estas acusações, já tem alguns casos relacionados. E mais terá, quando maior for o seu crescimento, porque isso não é condição exclusiva de "esquerda". Ballet Rose, diz-vos alguma coisa? Não? Um dos maiores escândalos de pedofilia do tempo do Senhor Salazar, e que ao contrário do caso Casa Pia, nunca foi escortinado, investigado ou chegou ao conhecimento da maioria da população daquele tempo.  

4. Foram 50 anos de Socialismo e de pobreza 

Foda-se, não posso crer que a malta seja assim tão burra. Depois do 25 de abril de 1974, Portugal nunca foi um regime socialista. Foi sempre dominado por políticas da social-democracia europeia, ora mais à esquerda, ora mais à direita, permitindo a muitas pessoas subir no tão famoso "elevador-social" - que os liberais adoram berrar, para conquistar votos. Permitiu que estudássemos, e não ficássemos apenas com a 4.ª classe, como os nossos avós e pais. Permitiu-nos ir de férias, poupar dinheiro e não ficar vinculados a um extrato social desde o momento do nosso nascimento. Por exemplo, tendo eu nascido em 1980, muitos miúdos da minha geração, (mais) a norte do país, enquanto em brincava na rua, muitos deles trabalhavam nas fábricas com os pais. Ainda assim, estes 50 anos de democracia permitiram combater o trabalho infantil e conquistar para os nossos miúdos, uma infância mais feliz, mais sonhadora e plena, Se há injustiças? Claro que sim. Se há pessoas com cursos superiores a fazer trabalhos pouco qualificados e a ganhar uma miséria? Sim, há. Há muita coisa, e ainda muita miséria para eliminar, mas não é a voltar atrás que isso se resolve. Muito pelo contrário, é no futuro que reside a possibilidade de fazer mais e melhor.  

5. Antigamente é que era bom e havia mais respeito 

Exato. Era bom e havia mais respeito. E medo. E prisões por opiniões políticas. E mortes só porque sim. As mulheres dependiam de autorizações do marido para certas situações corriqueiras, os gays tinham que viver escondidos, porque eram "aberrações sociais". Não haviam cá direitos laborais generalizados e fome, era o prato do dia para muitos (por exemplo, para o meu pai). E tenham noção de uma coisa, muitos portugueses morreram para que eu pudesse escrever este texto, ou as vossas parvoíces nas mais diversas redes sociais, e não reconhecer isso, além de profunda ingratidão, manifesta que não se preza o valor da liberdade. O de cada um e o de todos nós, enquanto coletivo.  

E finalmente, deixo ficar aqui um bónus: além de Portugal nunca ser sido uma república socialista, nunca foi governado pela extrema-esquerda. Dizer o contrário é apenas má-fé. 


E termino este longo tratado, com o seguinte pensamento: no domingo, para quem gosta de viver em democracia, o voto terá que ser exercido de forma a salvá-la. Ela é imperfeita, bem sei, mas é o único instrumento que nos permite escrever os dislates que quisermos (nos nossos blogues, por exemplo) e ter uma cena básica, que é ter uma opinião (sobre tudo e sobre nada). Não ter a consciência de ter um voto SEGURO na democracia, é lavar as mãos das consequências que daí possam advir. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

carências

 Devo mesmo estar com falta de alguma coisa... porque acabei de comer três Bollycaos

maleitas

 Entretanto no ginásio, a fazer ombro, voltei a dar cabo da coluna. 

gajos

Apesar do que escrevi aqui, repeti, e estive com o MJ mais duas ou três vezes (no início do ano passado). E ao contrário também, do que contei aqui, o interesse não se perdeu. A verdade é que, quer ele, quer o namorado, engraçam comigo, e fazem-me sentir super desejado. Já estive com os dois, mas nunca ao mesmo tempo. Eles contam tudo ao outro - portanto não sou "segredo", mas sempre recusei coisas a três. Não me sinto confortável, não gosto e não vou fazer algo só para agradar aos outros. E obviamente nunca me iri meter num trisal. Se com um já é o que é, o que seria com dois. 

Como moramos perto, encontro-os algumas vezes pela rua, no centro comercial ou no ginásio, e falamos como "pessoas normais", embora os convites surjam de quando em vez, através de "boquinhas". São uns putos porreiros, e vivem o relacionamento deles, de uma forma de que eu não o conseguiria fazer. Mas lá está, eu "sou conservador"

No outro dia, estava no ginásio, já nos balneários, de cuecas, a acabar de me vestir para sair e passa o MJ por mim. Disse-lhe olá, ele retribui, e passados uns minutos volta para trás, dá-me um beijo na boca e diz-me "bom dia". Fiquei um bocado atrapalhado, não só porque não estava à espera, mas também porque alguém podia ter visto. Nós não temos um relacionamento em que nos cumprimentemos assim, e estranhei. Muito. 

Hoje, voltei a encontrar o MJ no ginásio, na zona dos pesos livres. Disse-lhe olá, gozei com ele por estar a levantar pouco peso e estiquei-lhe a mão para o cumprimentar. Não sei porquê, se com motivos ou fruto da imaginação da minha cabeça, mas senti um movimento da boca dele em direção à minha, e recuei. Era o que me faltava, darem-me beijos na boca, no ginásio. Se calhar desbloqueei um novo trauma, mas antes prevenir que remediar. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

televisão invertida - canta-me uma história

Todas as quartas-feiras, o cantor David Antunes traz-nos um direto no YouTube, do seu programa semanal intitulado "Canta-me uma História", onde a tónica são as canções, a parvoíce, e nalguns casos, alguma ordinarice. Tenho descoberto muitas vozes espetaculares, que existem no nosso país, mas que estão fora dos grandes circuitos comerciais, quiçá porque não conhecem as pessoas certas. 

Existem já, mais de uma centena de episódios disponíveis, e aconselho à descoberta, com mente aberta. E como no supermercado, por aqui há um pouco de tudo. Fado, pop, rock, música pimba, etc., etc. 

Assim, partilho aqui com vocês, programa do 5.º aniversário, gravado o vivo em Santarém, no CNEMA, e onde, talvez, a parte pornográfica está mais diluída. Seja como for, podem avançar por vossa conta e risco. 


instagram

Entretanto reativei a conta do Instagram deste blogue, embora não saiba muito bem o que vá publicar por lá. Tenho que pensar numa linha editorial qualquer. "Tudo eu, tudo eu". 

recalcos

Credo, estava agora a reler umas cenas - de quando em vez, arquivo por aqui algumas publicações que possam conter considerações que levem à identificação de terceiros, embora seja tudo muito anónimo -, e quantidade de vezes que refiro o bloguer Miguel, e de que como ele não quis conhecer-me, nem desenvolver uma amizade comigo (porque, e mais uma vez, "tinha amigos a mais"), parece que vivo recalcado ou obcecado com o assunto. Se calhar até estou, ou ligeiramente traumatizado, vá, mas para mim, é o exemplo certeiro de como as pessoas são complexas (eu incluído). 

Bom, tenho de começar a trabalhar mentalmente para deixar o moço em paz, que não quero responsabilidades pelas suas orelhas quentes. 

confessionário

Da saga "ideias giras, mas sem utilidade nenhuma", surge agora o Confessionário (uma cena reciclada do meu blogue "do meio"). Até criei um separador e tal, para ter mais destaque na espuma dos dias. E no que consiste? Estão a ver o Shiuuuu? Aquele blogue famoso por partilhar os segredos dos outros - e que só por acaso, é um dos meus favoritos? Então é isso. O conceito é parecido, mas acaba por ser diferente (AHAHAHAH), até porque não quero transformar este espaço numa Catedral de Confidências. 

A ideia principal, é que nos dias maus, em que nos apetece dizer mal até de nós próprios, possamos ter um sítio onde deixar uma mensagem, que pode ser um pecado, um desabafo uma crítica ou outra coisa qualquer, mas que nos alivie a alma. As regras são básicas, de fáceis interpretação e julgo não ser necessário nenhum desenho adicional. Basta ler a descrição no separador. Ah, e pormenor importantíssimo: é TOTALMENTE ANÓNIMO. 

E não. Não sou eu na fotografia, porque se fosse, não tinha um blogue, tinha uma congregação de fiéis. Com direito a dízimo, que me permitisse fazer umas viagens catitas.


Mas afinal, quem é que se atreve?

buscas

- E o que procuras?

- Bom, basicamente, gostaria de conhecer pessoas para falar. Beber um copo, jantar, contar cenas. Sei lá, como já tenho alguma idade, é como se fosse a um bar de alterne. Pagava para beber copos, tinha alguém para conversar e só mexia os olhinhos. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

dúvidas

Noutros tempos existiam as Festas da Conga. 

Agora existe o quê? 



É para um amigo. 

tiago aldeia

 Até que...


E principalmente porque me parece ter um sentido de humor e nível de parvoíce, incríveis. 

Para além do óbvio, claro está. 

saudação matinal

Bons dias, trabalhadores do comércio. 

E de outras atividades, que não me apetece enunciar de momento. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

noites de antigamente

Aqui estou eu, depois do jantar, na blogosfera. Neste mundo virtual, moribundo, mas onde tantas vidas de cruzaram, mesmo sem o saber. Claro que "isto" já não é o que era. Já quase ninguém lê blogues, ou os escreve, e muitos, que o faziam, migraram primeiro para o Facebook, depois Instagram e acabaram no TikTok. Sinais dos tempos dirão alguns. Outros, velhos do Restelo, apenas dirão que antigamente é que era bom. Talvez fosse. Ou talvez não. Mas a ideia que sempre tive, sobre os blogues e a blogosfera, é que aqui podíamos ser autênticos. Que poderíamos conhecer pessoas que nos queriam conhecer intimamente, sem nos avaliar e rejeitar pelo nosso físico. Podíamos apenas ser, estar e sentir, sem julgamentos. Era, talvez, uma ideia bonita de toque de almas. 

É claro que guardo boas memórias disto tudo, tenho saudades de algumas pessoas e de algumas dinâmicas. Aliás, quando comecei com o meu primeiro blogue, "Entre Evas e Serpentes", tinha a ideia parva, que alguém ia ler-me, conhecer-me, gostar de mim por aquilo que conhecia no virtual, e depois ao vivo, os dois iriamos construir algo. Talvez a referência virtual do "cavaleiro no cavalo branco". Obviamente que isso nunca aconteceu, e nos projetos subsequentes, eu já estava num relacionamento, pelo que não fazia sentido nenhum para mim, conhecer quem quer se fosse. Muito menos numa vertente mais romântica da coisa. Daí, as recusas a convites que foram feitos ao longo do tempo. Sempre quis evitar segundas interpretações, e mais do que isso, queria ser honesto comigo e com a pessoa com quem namorava. 

E hoje, estou aqui a escrever antes de ir dormir, nem sei bem o porquê. Não sinto uma vontade extrema de desabafar ou chorar, "apenas" quero estar. Como se estivesse nos bons velhos tempos, e tivesse recuado cronologicamente, através de uma qualquer máquina para o efeito. A verdade, é que estar aqui, faz-me regredir 14 anos na minha presença virtual. Neste blogue, que criei em 2012, para ser eu próprio. Sem culpas. Sem ter de olhar por cima do ombro, com o pânico que descobrissem que era/sou gay. Depois, do que se passou daí para a frente, foi um carrossel de eventos, que me estimularam a fazer mais. A escrever mais. A partilhar mais. A dinamizar mais. Eu estava entre iguais. No meu safe spot, mesmo que não conhecesse as pessoas ao vivo. Mas sabia que eram reais. E no fim, era a minha forma de ser gay, ou se preferirem, conseguir ser autêntico. Ou mais autêntico.  

Recebi centenas de mensagens durante o "período de ouro" deste blogue. E acho, mas corrijam-me se estiver equivocado, nunca me comportei como uma diva. Nunca quis ser famoso com este projeto ou ganhar dinheiro com ele. Queria apenas mostrar-me com o mínimo de filtros possível. E de alguma maneira, ajudar outras pessoas que estivessem a passar pelos mesmos problemas do que eu, ou inspirar a fazer diferente. Mesmo passados estes anos todos, há mensagens que me ficaram gravadas na memória. De pessoas que vivam longe, bem no interior, e me diziam que as partilhas, da minha vida quotidiana em Lisboa, as faziam, de certa forma, viver, uma vez que onde habitavam era tudo muito mais escondido, pacato e diferente. E um homem de 34, 35 e 36 anos a ler este tipo de contactos, sentia que de alguma forma ajudava os outros. E eu, que sempre fui mais um "helper" anónimo, do que alguém que procura o protagonismo, sentia-me realizado.

Mas como em tudo na vida, as coisas acabam por ir perdendo o sentido. A sua essência, vá. E aquela busca por saber quem eu era, acabou por me amedrontar. Cobarde fui, confesso. E comecei a desligar. Aliás, já escrevi tanto sobre isso por aqui, que acabo por me repetir de tempos em tempos. Mas não é isso que a velhice nos traz? Recordar tudo o que vivemos, para não o esquecermos? Sim, sempre tive um problema com a idade. E como diz a minha terapeuta, eu sou um homem mentalmente velho. Talvez seja. Talvez o tenha sido sempre. E não é pelos meus amigos me dizerem que estou na minha melhor forma física de sempre (também 7 dias de ginásio por semana, têm de mostrar alguma coisa), e eu gostar de me ver nu, que não consigo desligar-me da idade que tenho. Do tempo que perdi e das coisas que poderia ter feito diferente. Mas lá está, nunca sabemos o dia de amanhã, não é verdade? 

gajos

Nos últimos 4 domingos, em 3 deles (incluindo ontem) fui tomar café com o PM. Um gajo do meu passado, por quem estive interessado há quase 20 anos, e que me rejeitou na altura à grande, mas por quem tenho tido um contacto intermitente ao longo do tempo, fazendo com que nunca tenhamos perdido efetivamente a ligação. Estamos ambos na fase de luto "relacional", e portanto, temos em comum os "ex´s", e uma forma parecida de como fomos tratados e de como tudo acabou. 

Estamos quebrados. Ele mais que eu, porque também é mais recente, mas igualmente fodidos com os gays. Falamos do que passámos, do que estamos a sentir, do nosso passado, e de vez em quando, nas desculpas que ele me oferece, pela forma como me tratou no antigamente. Mas verdade seja dita, nós não podemos obrigar-nos a gostar de alguém só porque sim. E apesar de fisicamente ele fazer o meu estilo (sempre o fez e continua a fazer, coisa que ele não precisa de saber no momento) somos muito diferentes, pela forma como vemos a vida. Portanto, se não aconteceu algo mais romântico no início, quando nos conhecemos, por algum motivo foi. 

Sexualmente falando, até acho que encaixámos (pelo menos da minha parte houve essa compatibilidade), mas isso nunca foi o suficiente para ele, e como tal, também não foi um motivo para ele ficar na minha vida nesse campo. Não escrevo isto com mágoa ou com qualquer objetivo de vingança, porque as coisas são como são, e a vida é assim. Só acho que ele deveria ter tido um pouco mais de cuidado na altura, e ter sido o mais honesto comigo nos motivos da rejeição. Mas lá está, também não podíamos exigir a um miúdo que tinha 23 na altura, que soubesse fazer as coisas. 

Seja como for, estou a gostar deste reencontro, e da forma como estamos a ser honestos um com o outro. É mais uma pessoa com que posso falar, abstrair-me dos meus problemas (nem que seja de uma forma momentânea) e que me ajuda a sair de casa. Não espero nada mais que isto, nem estou em condições de dar mais do que já dou. Estou em fase de recuperação sentimental e preciso focar-me no essencial. Ou seja, em mim. E apesar do meu desejo sexual ter caído a pique, e às vezes a cair na completa indiferença por gajos e nas suas abordagens, a verdade é que ele ainda me excita. Apesar de ter envelhecido mais depressa do que devia, para a idade que tem, ainda me provoca desejo. Mas isso ficará para só mim, porque problemas... já tenho de sobra. 

planos

Estou a ponderar tirar uns dias de férias, comprar o Passe Verde Ferroviário e fazer uma viagem pelo Norte do país. Sozinho. Sem combinar nada com ninguém, sem dizer nada a ninguém e ver o que a vida me proporcionará. Às vezes, são estas aventuras singulares, que nos trazem as melhores surpresas. 

coisinhas

O ódio mata. Sejam mais empáticos e menos mesquinhos. Até porque a vida passa num ápice e nunca sabemos o dia de amanhã. E por experiência própria vos digo: tudo aquilo que dão ao Universo, seja bom ou mau, dele devolve. Mais tarde ou mais cedo. 

passados

Antes de perder a virgindade, antes de namorar, antes de ter a certeza que era 100% gay, e antes mesmo, dos dinossauros reinarem na terra, fiz um interrail com amigos da faculdade, onde ao passar em Veneza, nas escadarias da Chiesa di San Simeon Piccolo, vi um rapaz sentado, e outro deitado com a cabeça no colo do primeiro, de mãos dadas a ver o pôr-do-sol, e pensei "É isto que quero para mim"

Nunca concretizei esse objetivo, e deveria ter concluído, que se calhar era um sinal de que essa pessoa ainda não tinha chegado à minha vida. Talvez não o quisesse ver, por achar que o amor era absoluto. Ou talvez não saiba nada de nada.