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sexta-feira, 27 de março de 2026

pequenos gestos

Há pouco, estava uma senhora a querer passar na passagem de peões. De lenço colorido na cabeça, cheia de sacos, era impossível que fosse invisível. Mas a verdade, é que nenhum carro parava, e a senhora não conseguia sair dali. Eu já a tinha visto, quando entrei na reta, e quando cheguei à zona da passadeira, parei o carro. E esperei. Passados alguns segundos, ao meu lado, parou outro carro (a estrada tem duas vias para cada lado), e a senhora, ainda que a medo, conseguiu fazer o atravessamento em segurança. Estava tão feliz, porque tínhamos parado (era a nossa obrigação), que sorriu de orelha a orelha, disse-nos adeus várias vezes com um brilho nos olhos, e pelos lábios, perceberam-se vários obrigados. E eu sorri de volta - e mostrei os mais de 10 mil euros, que gastei nos dentes de bom grado. 

Por vezes é tudo tão simples, que não sei porque é que vivemos de complicação em complicação. 

domingo, 17 de novembro de 2024

fim-de-semana

Bom, parece-me que neste fim-de-semana, não existiu muito drama. Será um sinal que as coisas estão a amainar? 

Acabo de chegar de um café, com uma pessoa que já falava há anos no Instagram, e que nunca tinha conhecido ao vivo, não só porque ele namora, mas porque o meu relacionamento não tinha essa opção (ou pelo menos julgava eu que não). Foi uma conversa interessante, embora estivesse com alguma resistência inicial, porque pensei que ia ser uma seca. Seca, porque de forma indireta, as pessoas "falam" muito através de mensagens, etc., mas depois ao vivo não conseguem articular um discurso coerente e que prenda o outro lado. Aqui, felizmente, isso não aconteceu e ainda bem. Conversámos sobre a minha situação atual (óbvio), de política, de família e que o mundo gay em Lisboa é um penico (e que toda a gente se conhece), Sim, toda a gente conhece toda a gente, ou pelo menos ouviu falar, sendo prova disso, os encontros de 3.º grau  dele, com pessoas das redes, que de alguma forma impactaram negativamente a minha vida, embora não as conheça ao vivo, mas saiba quem são. Confuso? Eu sei. É a minha vida neste momento. 

Ontem, também estive com o M., vimos a Eurovisão Júnior juntos, jantámos e fomos ao cinema. Um programa de amigos, portanto. Ou pelo menos assim espero, que tenha sido o entendimento do outro lado. Apesar das "cobranças". E das "bocas" do género: "ainda não ligaste o Grindr aqui? Não precisas de ficar inibido por mim". *olhos a revirar*


E embora o fim-de-semana tenha passado a correr, de me sentir cansado, e de ter as marmitas todas para fazer, estou mais tranquilo. Resignado talvez. Mas sereno.  

domingo, 29 de janeiro de 2017

parvos

Há pessoas que gostam de fazer dos outros parvos. Apresentam um discurso "assim e coiso" e acham que toda a gente come aquela conversa. Pessoalmente, já que ninguém está livre de um engodo de vez em quando, gostava que o fizessem como deve de ser. Isto é, já que me vão enganar façam-no com mestria. Tipo, paguem-me um café, digam-me que sou lindo e I-N-V-E-N-T-E-M uma história coerente. Se não podem ir jantar porque estão mal dispostos, não publiquem fotos no Facebook a dizer que estão no Urban. Se dizem que estão tesos (sem dinheiro, portanto) e que não podem tomar café, jantar ou ir até à praia, não publiquem fotos no Instagram com outros grupos de amigos a beber vinho caro, a jantar em restaurantes de elite ou em "almoçaradas" aqui e ali - neste caso concreto era mais legítimo um "não me apetece estar contigo". 

Portanto, o mínimo que se exige, é que não tentem passar a perna, insultando a inteligência do alvo, porque assim estamos a transformar uma situação que já é má, numa pior. É que estar a olhar a pessoa nos olhos, e ver que a conversa que nos estão a vender é treta, e o outro lado perceber que nós percebemos que é treta e continua, só revela que mesmo a mentir, a outra pessoa não tem consideração por ti e que além disso te considera burro. É porque lidar com um engano é devastador, mas gerir uma mentira com um atestado de estupidez, é bem pior.