Há pouco, estava uma senhora a querer passar na passagem de peões. De lenço colorido na cabeça, cheia de sacos, era impossível que fosse invisível. Mas a verdade, é que nenhum carro parava, e a senhora não conseguia sair dali. Eu já a tinha visto, quando entrei na reta, e quando cheguei à zona da passadeira, parei o carro. E esperei. Passados alguns segundos, ao meu lado, parou outro carro (a estrada tem duas vias para cada lado), e a senhora, ainda que a medo, conseguiu fazer o atravessamento em segurança. Estava tão feliz, porque tínhamos parado (era a nossa obrigação), que sorriu de orelha a orelha, disse-nos adeus várias vezes com um brilho nos olhos, e pelos lábios, perceberam-se vários obrigados. E eu sorri de volta - e mostrei os mais de 10 mil euros, que gastei nos dentes de bom grado.
Por vezes é tudo tão simples, que não sei porque é que vivemos de complicação em complicação.