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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

o estranho caso de madame pelicot

O caso da francesa Gisèle Pelicot é chocante. É ignóbil. É nojento. É aterrador. É tão surreal, que custa a acreditar que seja verdade, ou até mesmo que tenha acontecido. E mais grave fica, quando verificamos que parte da pessoa em quem mais se confiava. De alguém a quem entregámos a vida, e a quem permitimos que nos acompanhasse nela. Sem condições. Sem obstáculos. Sem medos. 

Para madame Pelicot, a pessoa que estava ao seu lado, era o “homem perfeito”. Era o tal. O príncipe encantado que levava à cama, quando ela se sentia mal, o seu gelado favorito. Que a acompanhava às consultas médicas de neurologia, quando ela pensava que estava a enlouquecer (mesmo ele sabendo que era resultado das drogas que lhe dava). Que estava sempre ao seu lado, para o bem e para o mal. E sobre isso, pensava ela muitas vezes no “quão sortuda era por o ter ao seu lado”. O quão enganada estava. 

O marido, agora acusado de promover a sua violação com outros homens na Internet, ao longo de quase dez anos (até 2022), onde a drogava, para que tudo acontecesse sem existir lembranças disso, pede desculpa, diz que nunca nunca recuperou da traição da sua mulher, há décadas, etc, etc. Seja qual o motivo que arranje, nunca, mas nunca, haverá justificação para aquilo que fez. Que lhe fez. Para este comportamento doentio, onde destruiu a vida de uma pessoa. No presente caso, da sua mulher, que o amava. 

Bem sei, que é difícil perdoar traições (eu sei!), mas neste caso, ela explicou os motivos, falaram sobre o assunto e ele aceitou continuar. Sublinho: resolveram continuar. Até porque não era "apenas" uma traição, mas sim, a opção de seguir, eventualmente, a vida com outra pessoa. E apesar de tudo, resolveram continuar juntos. E assim foi durante décadas. Não sei o que se passou em 2011, mas este comportamento de promover violações em série da sua mulher, drogando-a de forma a "esconder tudo", não é normal. É algo de uma pessoa muito doente e fora da realidade. De alguém sem consciência. Alheado de tudo. Sem empatia pelo próximo. Sem respeito pelo outro. Um nojento. 

Concluo, que há pessoas más. Muito más. E que muitas delas, se encontram camufladas nos nossos círculos mais próximos, que nunca saberemos realmente do que são capazes de fazer e até onde podem ir. Até o dia, que somos obrigados a tomar uma dose valente de realidade. E esta falta de consideração extrema, com a pessoa com quem escolhemos partilhar uma vida, choca-me. Deixa-me triste. Derrotado. E para mim, o comportamento do marido de Gisèle Pelicot não tem explicação possível. Perdão. Não existe nada no mundo, que me faça entender isto. Da mesma forma que não consigo perceber a gratuitidade de algumas ações, que são feitas a pessoas a quem se diz amar. Gostar. Ter apreço. Não percebo a necessidade de destruir alguém só porque sim. Porque não se pensou nunca nas consequências. Não percebo. E nunca irei conseguir perceber. Nunca conheceremos as pessoas a 100%, e estas terão sempre o condão de nos surpreender pela negativa.

terça-feira, 10 de abril de 2018

opiniões

Colega do terceiro: Tu és mais uma "cat person" ou uma "dog person"? 

Eu: Nem uma coisa nem outra. Sou mais "voyeur".*


*Ou como se acaba uma conversa sobre animais domésticos.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

tdpdncups | 2015 | 1

E a poucas horas de 2016, surge o número 1 dos post's de 2015: o "sete e ponto final" do Seth Fornea! De referir, que o Seth divulgou na sua página de Facebook o artigo, portanto não é de admirar que este seja um dos mais lidos deste ano! Para quem quiser ler, ou reler, pode fazê-lo aqui!

Fonte: Instagram do menino!


E pronto, para 2015 fecha-se o blogue. Para o ano haverá mais (será que haverá ou o blogue acaba? #ficaapergunta). Feliz 2016!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

tdpdncups | 2015 | 2

Está quase aí o ano de 2016, mas antes, ainda tenho tempo de trazer o segundo lugar do TDPDNCUPS. Com 333 visualizações e 50 comentários, e quase um ano depois, aparece o artigo com uma das ideias que mais gozo me deu concretizar: o Calendário Blogosférico! 

Fonte: Calendário Blogosférico

Para ler ou reler aqui!


Perguntaram-me há alguns dias, se não iria fazer o calendário blogosférico 2016, e eu respondi que não. 

MAS... (há sempre um "mas", não há?)

Se até às 02h30m horas de 31 de Dezembro de 2015, os bloguers (e porque não leitores e comentadores????) me enviarem 12 fotos, para cada um dos meses do ano (é enviar a foto e dizer qual é o mês pretendido), com um desejo formulado por si para 2016, PROMETO que no dia 1 de Janeiro temos calendário! As fotos devem ilustrar o mês que se pretende associar  e mostrar um "bocadinho" do bloguer, leitor ou comentador.

Então como vai ser?*

*Não me dêem força, não me incentivem, não me mandem amendoins, nem alinhem comigo, porque eu preciso é de descansar, ok? looool

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

tdpdncups | 2015 | 4

E na senda dos cinco artigos mais lidos neste blogue, avançamos para o número 4! É sobre um ator português e foi publicado a 16 de Abril. É um preview da entrevista, que o ator Marco Delgado deu para a TABU, a revista do Semanário Sol. Teve 253 visualizações. 

Marco Delgado | Fonte: José Régio - Sol


Para ler, ou reler, AQUI!

domingo, 27 de dezembro de 2015

tdpdncups | 2015 | 5

Normalmente as televisões deste país (e não só), no final de cada ano, fazem uma retrospetiva do que se passou no mundo noticioso, evidenciando aquilo que se destacou nos últimos 12 meses. Se em Portugal, a impressa, quase unanimemente, considerou António Costa a figura do ano, na Europa, o destaque centrou-se nos refugiados vindos da Síria, do Iraque, e do Afeganistão, que invadiram a Europa. Ah, e os atentados de Paris. 

No Brasil continua a saga do "tira a Dilma do poleiro" (e não, não estou a chamar a senhora de "galinha") e nos Estados Unidos da América continuamos a assistir às parvoíces do Trump. Aqui ao lado (Espanha) continuamos a tentar perceber qual será a jogada da Catalunha e se efetivamente a nossa península ibérica terá, ou não, mais um país.

No nosso mundo blogosférico, podemos assinalar como momentos positivos, o nosso calendário, os prémios Cigno (que apesar de tudo gerou uma maior interatividade entre nós), o surgimento (ou reaparecimento) de novos blogues e a volta à atividade de bloguers que se tinham ausentado momentaneamente (como o Sérgio). Como aspetos menos positivos, registo o desaparecimento de blogues (como o da Samantha), o abandono de atividade por parte de alguns bloguers (por exemplo, o Ricardo Costa e os Coelhos) e alguma intransigência de opiniões que se fez sentir.

Por "cá", consegui fazer três anos de blogue (uau, é a rameira da loucura) e realizei (com a ajuda de alguns camaradas) umas festas bem catitas (embora não tenha feito tudo o que pretendia) para comemorar o feito. E já que estamos em jeito de balanço, resolvi até dia 31 de dezembro do corrente ano, fazer o TDPDNCUPS* de 2015. 

*Top Dos Posts Do Namoro Com Um Pop Star

Assim, na quinta posição, com 236 visualizações, temos o artigo "perguntas do namorado 1". Realmente, este blogue já teve mais longe de ser a revista "Bravo", "Ragazza" ou "Capricho". Mas a ser uma revista, que seja a G Magazine (ainda existe, ou sou eu que já sou um bocadinho antigo?).

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

opinião

Já tinha prometido a mim mesmo, que não voltaria a falar de política de uma forma entusiástica neste blogue, nem demonstraria a minha opinião de uma forma apaixonada e cega, até porque como as pilas, nas opiniões, cada um tem a sua. Mas há coisas que leio e que me deixam a ferver por dentro, e por mais que queira respirar fundo e ser uma pessoa calma e pragmática, não consigo ficar caladito no meu canto a fingir que não é nada comigo. 

Depois do anunciado acordo à esquerda, tudo é válido para justificar posições da PàF, da direita, dos mercados, da autoridade, da consolidação das contas públicas e das políticas europeias. Admito que o calor da discussão, por vezes os argumentos extravasem para o insulto fácil, ou para as explicações mais idiotas, ou apenas para uma revolta interior porque não se percebeu o resultado de determina acção. Eu próprio, sobre o vencedor das eleições de Outubro último e dos seus votantes, já disse que tinha a dizer e talvez tenha sido um pouco violento da forma como o escrevi, mas lendo as reações ontem, aqui e ali, em blogues e "feiceboques", percebi várias coisas. Percebi que agora "os gays vão conquistar o país e vão colocar a sua "agenda" em prática. Vão obrigar as crianças a ser adotadas e vão subir em flecha as violações de rapazes". Ou seja, os gays são conotados como "esquerdistas" e são conotados como comunistas e bloquistas.

Apesar de ser muitas das vezes inflexível, julgo que consigo ser um bom democrata. Falo, reclamo, bato o pé, expludo, digo mal, mas sei viver com a vontade da maioria. Vivi com um Sr. Aníbal Cavaco Silva durante dois mandatos presidenciais, embora não tenha votado nele. Aguentei a austeridade, aliás como todos nós, e apesar de não ter votado nela, aceitei-a como algo que traduzia a vontade da maioria da nossa sociedade. Não me recordo nas alturas mais extremadas, ter ouvido/lido que as mulheres ligadas ao PSD/CDS fossem "esganiçadas" e "que não serviam para nada". Desta vez ouvi. Aliás, não foi só sobre as mulheres. Diz o Pedro Arroja que "o aborto, o casamento gay, a adoção de casais homossexuais... divide". E afirma isto, porque na direita portuguesa, como em muitas direitas atrasadas deste mundo, a mulher é para estar em casa a cuidar dos filhos e os gays são projetos de homens que falharam. Aliás, um casamento é entre um homem e uma mulher. 

Se algumas dúvidas tive sobre onde se poderia incluir as questões LGBTI, ontem tive certezas. Tive certeza que para uma grande parte dos portugueses, a esquerda, ou a esquerda radical, apenas se preocupa com os "paneleiros, o aborto e legalização das drogados" e que isso não é importante. E na altura dos argumentos, políticos ou não, como tentativa de ofender, surge agora a velha nova máxima "não sou drogado, prostituto ou paneleiro". Curiosamente, também não sou nenhum desses estereótipos, mas ainda assim, mesmo se fosse drogado ou prostituto ninguém teria nada a ver com isso desde que não colidisse com a liberdade dos outros. E paneleiro... bom, como dizíamos na escola preparatória: "paneleiro é quem faz panelas".