segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

resultados eleitorais - presidenciais 2026

Ontem ganhámos um balão de oxigénio, e talvez uma breve pausa, para tentar perceber para onde vamos, porque se conseguiu evitar que a extrema-direita abarcasse o mais alto cargo da nação. Não quer isto dizer, que "estamos safos", mas sim, que conseguimos uma janela de oportunidade para a nossa democracia. Que há tempo de emendar a mão, ainda por cima, em tempos tão confusos como estes. Assim, a eleição de António José Seguro, e a percentagem que alcançou, demonstra que a maioria dos portugueses continua a preferir viver numa democracia imperfeita, do que no hall de entrada de uma ditadura, onde ninguém sabe muito bem o que poderia acontecer. Principalmente para as minorias. 

Sobre o novo Presidente da República eleito, parece-me ter uma qualidade essencial, que é a empatia (muita até) pelo próximo. Caraterística fatal, contudo, noutros cargos, como por exemplo, no de Primeiro-Ministro. Aliás, continuo convencido de que, António Costa, era a única solução possível para o Partido Socialista naquela altura, e que AJS não tinha perfil de liderança de um partido político ou até mesmo de um Governo. Nós não nascemos para saber fazer tudo ou estar em todo o lado da mesma forma. Portanto, acho que AJS daria um mau Primeiro-Ministro, mas que reúne as condições necessárias para ser um bom Presidente da República, mais na linha de Jorge Sampaio. A mim, sempre me deu vibes disso. 

Agora quando me dizem, que AJS não tem pulso, que é fraco, que as pessoas se queixam e depois votam nos mesmos e que "a mama vai continuar" (como escreveu uma vizinha minha no Facebook, apoiante declarada do Chega, mas que não tem onde cair morta e se não tivesse sido o SNS teria morrido aos 12 anos)... bom, na democracia plena, por vezes, não há o candidato ideal (não há em lado nenhum, by the way), mas sim a única opção ou uma escolha óbvia entre a decência e ódio. 

Julgo que será fácil para muitos, criticar as escolhas dos outros (como esta) com insultos (porque não o conseguem fazer de outra forma), principalmente aqueles que vivem no estrangeiro e usufruem do estado social dos países que os acolheram (como na Suíça ou Luxemburgo), ou serem contra os direitos LGBTI+ e votarem contra o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo, utilizando este instrumento anos mais tarde com os seus parceiros (como por exemplo, Paulo Rangel) ou até mesmo, exigir aos outros aquilo que não exigem a eles próprios. Contudo, aqui, gostaria de ver aplicada a velha máxima que tenho há anos, e que utilizo: faz aos outros, aquilo que gostarias que te fizessem. Até porque a empatia pelos outros, é aquilo que nos distinguirá da irracionalidade, da raiva primária e da indiferença. Sim, só mesmo o amor nos pode salvar.

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