A questão dos amigos, ou da amizade, é um tema que trago aqui (ao blogue) de uma forma recorrente, porque é algo que me diz muito. Durante anos estive solteiro (ninguém me pegava lolololol) e sempre apostei em amizades sólidas. Durante anos achei que era o que me bastava, e a questão dos amigos e de os cativar tornou-se para mim, tão ou mais importante, como ter um homem ao meu lado. Aliás, alturas houve, que ultrapassou mesmo esse desejo de ter uma pessoa a vida inteira, e o meu grupo de amigos era o bastante porque me permitia ser eu próprio, onde gostavam de mim pelo que era e não por aquilo que queriam que eu fosse.
A verdade, é que apesar de ter uma postura um bocado antissocial muitas vezes, noutras tantas, basta darem-me uns minutos de conversa, dois ou três tópicos e lá começo a palrar que nem um desalmado. Acho que ter estado solteiro tanto tempo me mostrou que uma amizade não deve ser descurada e que é um amor que deve ser alimentado. Ao olhar para o meu leque de amigos atuais, vejo que tenho de tudo um pouco. Betos, freaks, CDS’s, comunistas, socialistas, sociais-democratas, brancos, amarelos, pretos, gays, bi’s, héteros, pobres, ricos, extrovertidos, introvertidos, giros, menos giros, altos, baixos, etc.
Ao ter esta “Arca de Noé”, sei que tenho que ter alguns cuidados para evitar conflitos, sei que o A não gosta do B, o B quer levar para a cama o C, o acha o B má pessoa e foge dele, o D é de esquerda e odeia o E porque é do CDS e por adiante. Não é fácil por vezes, estarem todos no mesmo espaço, onde o único elo em comum, sou apenas eu. Também sei que não temos que gostar de toda a gente, nem toda a gente terá que gostar de nós, mas é difícil por vezes tentar ser bombeiro quando o circo pega fogo, embora tenha que reconhecer (e sou grato por isso) que eles fazem um esforço por causa de mim, tentando não transformar o ambiente muito pesado.
Não tenho como objetivo de vida ser Miss (desejar paz no mundo, que toda a gente seja “amiguinho” e não sei quê), mas custa-me por vezes, ver que as pessoas não se esforçam minimamente para se darem bem e que se deixassem cair certos muros de ideias pré-concebidas até gostariam de conviver e gostar do que essas mesmas pessoas têm para dar. Eu sei que isto é muito blá, blá, blá e que eu também tenho amigos de amigos, de quem não gosto e não faço um esforço para gostar, mas apenas quis demonstrar com este exercício que tenho bons amigos, apesar de ser unânime entre eles que tenho muito mau feitio.