Noutros tempos existiam as Festas da Conga.
Agora existe o quê?
É para um amigo.
Para além do óbvio, claro está.
Bons dias, trabalhadores do comércio.
E de outras atividades, que não me apetece enunciar de momento.
Aqui estou eu, depois do jantar, na blogosfera. Neste mundo virtual, moribundo, mas onde tantas vidas de cruzaram, mesmo sem o saber. Claro que "isto" já não é o que era. Já quase ninguém lê blogues, ou os escreve, e muitos, que o faziam, migraram primeiro para o Facebook, depois Instagram e acabaram no TikTok. Sinais dos tempos dirão alguns. Outros, velhos do Restelo, apenas dirão que antigamente é que era bom. Talvez fosse. Ou talvez não. Mas a ideia que sempre tive, sobre os blogues e a blogosfera, é que aqui podíamos ser autênticos. Que poderíamos conhecer pessoas que nos queriam conhecer intimamente, sem nos avaliar e rejeitar pelo nosso físico. Podíamos apenas ser, estar e sentir, sem julgamentos. Era, talvez, uma ideia bonita de toque de almas.
É claro que guardo boas memórias disto tudo, tenho saudades de algumas pessoas e de algumas dinâmicas. Aliás, quando comecei com o meu primeiro blogue, "Entre Evas e Serpentes", tinha a ideia parva, que alguém ia ler-me, conhecer-me, gostar de mim por aquilo que conhecia no virtual, e depois ao vivo, os dois iriamos construir algo. Talvez a referência virtual do "cavaleiro no cavalo branco". Obviamente que isso nunca aconteceu, e nos projetos subsequentes, eu já estava num relacionamento, pelo que não fazia sentido nenhum para mim, conhecer quem quer se fosse. Muito menos numa vertente mais romântica da coisa. Daí, as recusas a convites que foram feitos ao longo do tempo. Sempre quis evitar segundas interpretações, e mais do que isso, queria ser honesto comigo e com a pessoa com quem namorava.
E hoje, estou aqui a escrever antes de ir dormir, nem sei bem o porquê. Não sinto uma vontade extrema de desabafar ou chorar, "apenas" quero estar. Como se estivesse nos bons velhos tempos, e tivesse recuado cronologicamente, através de uma qualquer máquina para o efeito. A verdade, é que estar aqui, faz-me regredir 14 anos na minha presença virtual. Neste blogue, que criei em 2012, para ser eu próprio. Sem culpas. Sem ter de olhar por cima do ombro, com o pânico que descobrissem que era/sou gay. Depois, do que se passou daí para a frente, foi um carrossel de eventos, que me estimularam a fazer mais. A escrever mais. A partilhar mais. A dinamizar mais. Eu estava entre iguais. No meu safe spot, mesmo que não conhecesse as pessoas ao vivo. Mas sabia que eram reais. E no fim, era a minha forma de ser gay, ou se preferirem, conseguir ser autêntico. Ou mais autêntico.
Recebi centenas de mensagens durante o "período de ouro" deste blogue. E acho, mas corrijam-me se estiver equivocado, nunca me comportei como uma diva. Nunca quis ser famoso com este projeto ou ganhar dinheiro com ele. Queria apenas mostrar-me com o mínimo de filtros possível. E de alguma maneira, ajudar outras pessoas que estivessem a passar pelos mesmos problemas do que eu, ou inspirar a fazer diferente. Mesmo passados estes anos todos, há mensagens que me ficaram gravadas na memória. De pessoas que vivam longe, bem no interior, e me diziam que as partilhas, da minha vida quotidiana em Lisboa, as faziam, de certa forma, viver, uma vez que onde habitavam era tudo muito mais escondido, pacato e diferente. E um homem de 34, 35 e 36 anos a ler este tipo de contactos, sentia que de alguma forma ajudava os outros. E eu, que sempre fui mais um "helper" anónimo, do que alguém que procura o protagonismo, sentia-me realizado.
Mas como em tudo na vida, as coisas acabam por ir perdendo o sentido. A sua essência, vá. E aquela busca por saber quem eu era, acabou por me amedrontar. Cobarde fui, confesso. E comecei a desligar. Aliás, já escrevi tanto sobre isso por aqui, que acabo por me repetir de tempos em tempos. Mas não é isso que a velhice nos traz? Recordar tudo o que vivemos, para não o esquecermos? Sim, sempre tive um problema com a idade. E como diz a minha terapeuta, eu sou um homem mentalmente velho. Talvez seja. Talvez o tenha sido sempre. E não é pelos meus amigos me dizerem que estou na minha melhor forma física de sempre (também 7 dias de ginásio por semana, têm de mostrar alguma coisa), e eu gostar de me ver nu, que não consigo desligar-me da idade que tenho. Do tempo que perdi e das coisas que poderia ter feito diferente. Mas lá está, nunca sabemos o dia de amanhã, não é verdade?
Nos últimos 4 domingos, em 3 deles (incluindo ontem) fui tomar café com o PM. Um gajo do meu passado, por quem estive interessado há quase 20 anos, e que me rejeitou na altura à grande, mas por quem tenho tido um contacto intermitente ao longo do tempo, fazendo com que nunca tenhamos perdido efetivamente a ligação. Estamos ambos na fase de luto "relacional", e portanto, temos em comum os "ex´s", e uma forma parecida de como fomos tratados e de como tudo acabou.
Estamos quebrados. Ele mais que eu, porque também é mais recente, mas igualmente fodidos com os gays. Falamos do que passámos, do que estamos a sentir, do nosso passado, e de vez em quando, nas desculpas que ele me oferece, pela forma como me tratou no antigamente. Mas verdade seja dita, nós não podemos obrigar-nos a gostar de alguém só porque sim. E apesar de fisicamente ele fazer o meu estilo (sempre o fez e continua a fazer, coisa que ele não precisa de saber no momento) somos muito diferentes, pela forma como vemos a vida. Portanto, se não aconteceu algo mais romântico no início, quando nos conhecemos, por algum motivo foi.
Sexualmente falando, até acho que encaixámos (pelo menos da minha parte houve essa compatibilidade), mas isso nunca foi o suficiente para ele, e como tal, também não foi um motivo para ele ficar na minha vida nesse campo. Não escrevo isto com mágoa ou com qualquer objetivo de vingança, porque as coisas são como são, e a vida é assim. Só acho que ele deveria ter tido um pouco mais de cuidado na altura, e ter sido o mais honesto comigo nos motivos da rejeição. Mas lá está, também não podíamos exigir a um miúdo que tinha 23 na altura, que soubesse fazer as coisas.
Seja como for, estou a gostar deste reencontro, e da forma como estamos a ser honestos um com o outro. É mais uma pessoa com que posso falar, abstrair-me dos meus problemas (nem que seja de uma forma momentânea) e que me ajuda a sair de casa. Não espero nada mais que isto, nem estou em condições de dar mais do que já dou. Estou em fase de recuperação sentimental e preciso focar-me no essencial. Ou seja, em mim. E apesar do meu desejo sexual ter caído a pique, e às vezes a cair na completa indiferença por gajos e nas suas abordagens, a verdade é que ele ainda me excita. Apesar de ter envelhecido mais depressa do que devia, para a idade que tem, ainda me provoca desejo. Mas isso ficará para só mim, porque problemas... já tenho de sobra.
Estou a ponderar tirar uns dias de férias, comprar o Passe Verde Ferroviário e fazer uma viagem pelo Norte do país. Sozinho. Sem combinar nada com ninguém, sem dizer nada a ninguém e ver o que a vida me proporcionará. Às vezes, são estas aventuras singulares, que nos trazem as melhores surpresas.
O ódio mata. Sejam mais empáticos e menos mesquinhos. Até porque a vida passa num ápice e nunca sabemos o dia de amanhã. E por experiência própria vos digo: tudo aquilo que dão ao Universo, seja bom ou mau, dele devolve. Mais tarde ou mais cedo.
Antes de perder a virgindade, antes de namorar, antes de ter a certeza que era 100% gay, e antes mesmo, dos dinossauros reinarem na terra, fiz um interrail com amigos da faculdade, onde ao passar em Veneza, nas escadarias da Chiesa di San Simeon Piccolo, vi um rapaz sentado, e outro deitado com a cabeça no colo do primeiro, de mãos dadas a ver o pôr-do-sol, e pensei "É isto que quero para mim".
Nunca concretizei esse objetivo, e deveria ter concluído, que se calhar era um sinal de que essa pessoa ainda não tinha chegado à minha vida. Talvez não o quisesse ver, por achar que o amor era absoluto. Ou talvez não saiba nada de nada.
Terminei de trabalhar agora. Uma hora depois do planeado, considerando que tenho tempo a mais e o mês acaba hoje. Estou cansado. Daquele trabalho. Daquelas pessoas. E da incompetência da chefia. Que ganha balúrdios, só faz merda, mas é adorada pela Administração. Um pouco em linha com o Governo PSD/CDS, e da forma como se encontra a governar o nosso país. Veja-se Leiria.
Para conseguir desligar disto tudo, queria era ir sair, beber, dançar e estar com os meus amigos. Sei lá tipo 2009 ou 2010, onde tudo era mais ingénuo para mim. Mas como o tempo não volta atrás, vou jantar a minha pizza, o meu doce do TikTok, beber um café e ver a série de sexta-feira à noite. Amanhã vou jantar com uma amiga e domingo, bom, domingo, organizar a semana que entra.
E vocês, que planos têm?
Bom fim-de-semana!
Uma das coisas que mais gostava no Pride de Madrid, era sentir-me "normal", como nunca me senti em Portugal. E essa coisa da "normalidade", passava "simplesmente" por andar na rua sem julgamentos, era mirar homens sem medo de ser "apanhado", era entrar num bar, olhar, alguém olhar de volta, e sorrir sem culpas, e existirem espaços onde era possível conhecer alguém (se existisse essa vontade) de uma forma mais simples. Sem aplicações, sem exigências físicas ou de outra ordem. Tudo parecia mais fácil mais descontraído e mais "natural", se é que esse conceito se pode aplicar neste caso. Talvez pela época, ou pela zona da cidade, ou pelo maior à vontade dos espanhóis, ou por tudo junto. Não sei.
Adicionalmente, a esta sensação, os gajos em Espanha sempre me fizeram sentir "vivo". São menos divas que os portugueses. Aliás, ainda esta semana numa conversa com um amigo meu, afirmei que Portugal tem demasiadas gay divas para a população que tem. São demasiadas. Too much. Acham-se sempre superiores que os demais. Mais giros. Mais gostosos. Mais crème de la crème do que realmente são.
Mas não estou para aqui a teorizar sobre divas, ou os prides de Madrid ou Lisboa, e qual deles será o melhor, apenas estou a tentar passar aquilo que sinto em relação a ambientes. Espaços mais quotidianos, mundanos, onde possamos estar, e apenas estar, onde tudo flua com mais naturalidade. Onde, mesmo em espaços conotados apenas como gays, tudo seja menos sexual, menos intrusivo ou "obrigatório". Dentro do tema, lembro-me por exemplo, de um bar/café em Bilbao, destinado a um público lésbico, mas onde todos são bem-vindos. E o que se passa por lá, para estar a referenciá-lo? Bom, é um local aberto a todos, embora tenha uma persona óbvia, mas onde podemos beber um copo, conversar com amigos e jogar jogos de tabuleiro. Uma cena muito mais descontraída, onde não tem que existir engate puro e duro, e que está aberto também fora do período noturno das 20h às 24h.
Não quero também, estar a ser injusto relativamente a Lisboa, mas assumo a minha ignorância sobre este tipo de espaços por cá, portanto, se existirem, por favor, digam-me, corrijam-me e indiquem-me onde os posso encontrar, porque de Trumps, Constrution e bares de engate, embora possam ser importantes (e são, no seu devido contexto), não se enquadram naquele tipo de ambientes que considero que fazem falta em Portugal.
Não sei se ainda vou a tempo, mas janeiro não acabou, e por isso:
UM FELIZ 2026 para todos desse lado.
Gosto de flirtar. Sempre gostei. Mas se isso depois dá em alguma coisa (ou se quero que dê), é outra conversa. Neste momento, já me contentava em estar aninhado com alguém num sofá, a dar festas na cabeça e no peito, de mãos entrelaçadas, a ver um filme, sem compromissos de maior. Mas a pessoa que mais perto dessa situação estará, não pode ser, porque depois eu dou sinais (ou o crl) de cenas que não quero, nem procuro de momento, e depois tudo fica turvo, confuso e dramático. Se calhar vou arranjar um peluche gigante para isso.
Parece um paradoxo o que vou escrever, mas não o consigo fazer de outra forma. Nunca pensei, que fosse ter tanta dificuldade em conhecer pessoas, nos moldes que pretendo, e nunca pensei ser tão rejeitado como tenho sido. Até por pessoas com quem falava nas redes sociais faz tempo. Mas as coisas são como são, e a vida é como é.
Primeiro, há que estabelecer um contexto. Comecei a falar com rapazes, online, em 2002 (tinha 22 anos), era virgem e nunca tinha namorado. Desde esse ano, até 2009, conheci imensos gays, porque queria saber como era ser gay, como era ser um rapaz gay e acima de tudo, como é que dois homens poderiam ter um namoro maduro e saudável. Portanto, durante este caminho, fui construindo uma ideia de relacionamento muito heteronormativo, e sempre assumi, que iria perder a minha virgindade com a pessoa, por quem iria estar apaixonado. Mas quanto mais procurava, menos encontrava, e nunca ninguém quis namorar comigo, fazendo-me pensar que era uma valente merda ou teria algum problema associado. E assim, perdi a virgindade tarde, com a pessoa errada. Ao menos, tive muito prazer nesse encontro e o rapaz (apesar de ser um valente idiota) teve muito cuidado e algum carinho comigo. Depois, entreguei para Deus e desisti de namorar, e chegou o namorado n.º1, passados 7 meses, o n.º 2 e passados mais 5 meses, o 3.º e último.
Ao fim de 14 anos, fiquei sozinho novamente e assumi o compromisso comigo mesmo, que não queria ter relacionamentos nos próximos tempos. Queria "experimentar-me" e ver até que ponto era ou não, "conservador". Já fiz coisas que nunca pensei fazer, e quero fazer mais umas quantas, para testar-me e concluir, se serei assim tão tradicional, ou se por outro lado, se consigo ser moderno. Muito moderno já percebi que não, talvez vítima da educação que recebi ou da maneira de como vejo o mundo. Para mim, acima de tudo, tem de existir honestidade. E principalmente, conseguir ser honesto comigo próprio.
Neste último ano, tentei conhecer algumas pessoas com quem falava nas redes sociais. Beber um café, jantar, sair, viajar, fosse o que fosse. Não existia obrigação de ter sexo, nem sequer a cena "foda" era algo inevitável. Queria "apenas" ouvir outras vidas, saber de outras histórias, viver através dos outros tudo aquilo que não conseguia fazer no momento. A verdade, é que só consegui fazê-lo com 3 pessoas e com um "comeback do passado", que já me voltou a pedir desculpa pela forma como me tratou. Muitas das vezes, além da idade que tenho (45 e meio), os fatores "não procuro sexo no imediato" ou "não procuro um relacionamento" são determinantes para a rejeição. Ou seja, neste momento é tudo ou nada. Até parece que estou impedido de ser amigo de gays. Porque ou fodes, ou casas. Ou casas, ou fodes.
Aliás, já em 2014, quando tentei conhecer o Miguel, um comentador deste espaço, e meu vizinho, quando lhe perguntei "mas não podemos conhecer e ficarmos amigos?", a resposta foi "já tenho amigos demais", percebi que ser gay, além das dificuldades óbvias que temos durante a nossa vida (aceitação da família e amigos, trabalho, etc.), teria que lidar com a parte resistência das pessoas em querer vínculos, que não fossem obrigatoriamente ligados a casamento (como se fossem menores), ou de sexo imediato (como se o mundo fosse acabar amanhã).
Resumindo, por tudo aquilo que procuro no momento, acabo sempre por encontrar o oposto. O que seria muito giro e dinâmico, se não fosse tão cansativo e não me começasse a causar ódio em relação a um conjunto de pessoas, por quem deveria ter uma maior afinidade.
Vim hoje aqui, nem sei bem porquê. Talvez para me lamentar da minha vida, ou para mandar à minha cara que este blogue, que este espaço, ficou parado no tempo. Na mágoa. Naquilo que fui e já não sou. Não sei bem. Contudo, neste caminho de autoflagelação, recebi uma notícia inesperada. Triste. Assim do nada.
Porém, hoje não é sobre mim. É sobre o Paulo. É sobre a mensagem que recebi, numa caixa de comentários do Blog do Latinha, a avisar que o Paulo tinha partido. Daí, cheguei até uma publicação no blogue "Ruminando a Caixa de Pandora", e li sobre o Paulo. Sobre a despedida do Paulo.
Quando alguém morre, é certo e sabido, que essa pessoa passa a viver só de virtudes e elogios, como aquilo que se disse de mal no passado, se evaporasse no tempo e espaço. É um exercício egoísta e que só serve para minimizar a culpa de quem o tenha feito. Não acredito que seja o caso do Paulo, porque ele era um doce de ser humano.
Embora a milhares de quilómetros de distância, a interação com a blogosfera e blogosgayfera portuguesa, sempre foi viva, acolhedora, simpática, cordial, sincera e honesta. O Paulo sempre mostrou disponibilidade para fazer parte, para contribuir, para estar presente e participar em tudo o que lhe fosse pedido ou solicitado. Com o seu humor peculiar, polvilhado com aquela traquinice de menino, que adoçava ainda mais a sua maneira de ser, conquistava qualquer um e era peça fundamental nesta blogosfera transatlântica. Será sempre recordado, até porque a blogosfera pode estar moribunda, mas não morreu. E o Paulo não morreu, tornou-se eterno.
Obrigado por tudo, Paulo. Até um dia.