Ontem, antes de ir para o ginásio, passei num dos grandes centros comerciais de Lisboa. No balcão do café, estava um rapaz todo jeitoso, com tatuagens q.b., grandes pernas, de cavas brancas, calções pretos, chinelos de enfiar no dedo também pretos, cabelo grisalho e a abanar-se ao som da música que ouvia no momento. Claro que olhei. Obviamente que mirei. Era difícil não reparar. Mas mal vejo quem era, revirei os olhos. E não consegui disfarçar. Tenho ódio daquela pessoa, por tudo aquilo que representa para mim, e de certa forma, pela maneira gratuita como me humilhou. Quando não percebi no passado, porque é que não me deixou segui-la no Instagram, ao contrário do meu namorado na altura, foi perfeitamente entendível, anos mais tarde, o motivo. Sim, foi essa razão tão fútil e fugaz que acompanha o ser humano desde sempre. Pelos vistos, ele sabia quem eu era, eu é que não sabia de facto quem ele era. Ou o que ele representava para mim. Estávamos ligados, mesmo eu não o sabendo.
Aquele momento deixou-me super revoltado, aliás, como ainda estou hoje. Com vontade de dar um murro numa qualquer parede, até sangrar da mão. Saí dali, cego, a pensar que iria curtir com o primeiro gajo que me aparecesse à frente. Fosse ele quem fosse. Acabei sim, por estar com uma pessoa (não foi a primeira que vi, como é óbvio), que apesar de me agradar fisicamente, não me diz nada como indivíduo. Não foi uma monumental queca, mas sim, apenas uns toques básicos num corpo, que me excitou no momento. E a ele também, aparentemente. Mas não fiquei melhor. Não fiquei compensado ou contente. Continuo com um ódio gigante dentro de mim, mesmo sabendo que no fundo não odeio ninguém. Talvez seja deceção ou tristeza. Ou tudo junto. Ou saber que os gays querem lá saber dos sentimentos dos outros, desde que satisfaçam as suas necessidades mais básicas. E como diz um amigo, "os gays querem lá saber se os gajos são boas pessoas". Será que não? Seremos assim tão iguais?
Chinelo de enfiar o dedo no centro comercial? Que turn off gigante (pelo menos para mim). Lugar de chinelo é na praia.
ResponderEliminarPor mim, o lugar dele era no car*@£§#€ que o &%$#!
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