sábado, 25 de fevereiro de 2017

encontrar o sol

Já não ia ao teatro faz anos. Não sei concretamente o porquê, talvez achasse que era um produto demasiado caro. Talvez fosse preconceito ou preguiça de sair de casa, mas desta vez, impulsionado pelo que li em diversos meios de comunicação, e publicações no Facebook, resolvi comprar os bilhetes e ir. A peça chama-se "Encontrar o Sol" e está em cena no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa. 

Devo dizer-vos que gostei muito. Tem momentos de humor, tem momentos de drama, tem momentos de compaixão, de revolta, de simpatia, de querer perceber o porquê, e se nós, homossexuais, estaríamos dispostos a casar com uma pessoa de outro sexo só por causa das aparências, do afecto ou da aceitação. Mas mais importante do que aquilo que acontece durante a peça, são os momentos após, porque saímos dali a pensar no "e se", e no "que aconteceu à personagem tal" e será que foi o "síndrome de Romeu e Julieta"

Pelo que vi no Facebook, muitos dos meus amigos gays também foram e até encontrei um colega meu do trabalho por lá. Talvez tenha ajudado o facto dos actores andarem de sunga pelo palco, ou dos actores masculinos protagonizarem cenas em que dão beijos demorados na boca, ou ainda da peça retratar um ex-casal de namorados gays que agora são casados com mulheres. Não sei. Não sei se o target principal era o público homossexual, ou se este apenas se reviu na peça, mas o que sei, é que recomendo V-I-V-A-M-E-N-T-E, embora hoje seja o último dia em Lisboa (sessão às 21h). Para quem mora no norte do país, tem a possibilidade de assistir a esta peça em Braga, no Theatro Circo, no dia 3 de março de 2017. 


Créditos: Teatro do Eléctrico

Quando resolvi escrever esta publicação, ponderei fazê-lo através da minha interpretação do que assisti com o objectivo de criar algum interesse em terceiros, de forma a que saíssem do sofá e fossem ao teatro, mas depois conclui, que iria destruir a magia da "coisa" e decidi apenas criar um texto de divulgação. Também não seria justo destruir a possibilidade de quem vai assistir, de criar as suas próprias conclusões. Contudo, e de forma a existir um pequeno contexto, deixo ficar a sinopse oficial: 

"Quatro pares de homens e mulheres encontram-se numa concorrida praia. Henden, casado com Gertrude, é pai de Daniel, agora casado com Cordelia, mas envolvido no passado com Benjamin, actual marido de Abigail. O jovem Fergus e a sua mãe acompanham com curiosidade a ambiguidade destas ligações. De um humor cruel, Albee dota todas as personagens de ironia e absoluta autocomiseração, isolando-os numa luta interna contra as grandes inquietações do Homem: o desamor, o envelhecimento, a exclusão e a perda."

No final da peça, e através do Facebook, enviei algumas mensagens a dar os parabéns a alguns dos actores - cujas interpretações me marcaram mais. Devo dizer que a Rita Cruz foi a única que me respondeu (também não havia obrigatoriedade de resposta, como óbvio) o que reforçou a imagem com que fiquei. Ou seja, além do enorme talento que tem como actriz e cantora, tem a perfeita noção de que é no público, e com o público, que pode crescer ainda mais. Aliás, os génios são caracterizados pela simplicidade com que lidam com os outros. Força Rita! Muito sucesso!


Créditos: Teatro do Eléctrico


Tradução | João Paulo Esteves da Silva 
Encenação | Ricardo Neves-Neves 
Assistência de encenação | Catarina Rôlo Salgueiro 
Interpretação | Cucha Carvalheiro, Custódia Gallego, Luís Gaspar, Marques d’ Arede, Romeu Costa, Rita Cruz, Tadeu Faustino e Tânia Alves 
Cenário | Tiago Pinhal Costa 
Figurinos | José António Tenente Luz | Luís Lopes 
Música e Sonoplastia | Sérgio Delgado Piano | João Paulo Esteves da Silva Guitarra | Marco Carvalho Saxofone | Rita Nunes Trompete | Ivo Rodrigues Violino | Raquel Cravino 
Coros e Apoio vocal | João Henriques Com a participação do Coro CoLeGaS - Coro Lésbico, Gay e simpatizante da ILGA Portugal 
Fotografia | Alípio Padilha Comunicação do Teatro do Eléctrico | Mafalda Simões Estagiários ESAD | Diogo Guerra, Emanuel Santos, Raquel Mendes, Vânia Dinis 
M/14 
Duração aproximada | 1 hora e 15 minutos 
Co-produção | São Luiz Teatro Municipal, Theatro Circo de Braga e Teatro Do Eléctrico INFOS SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL Morada | R. António Maria Cardoso, 38, Lisboa Reservas | 213 257 650 / bilheteira@teatrosaoluiz.pt INFOS THEATRO CIRCO DE BRAGA Morada | Av. da Liberdade, 697, Braga Reservas | 253 203 800 / reservas@theatrocirco.com

6 comentários:

  1. Pareceu-me interessante. Em outra oportunidade ;)

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  2. Olá!
    Ai esse Luís Gaspar... tenho "sonhos húmidos" com esse homem... lol
    Beijinhos e porta-te mal!! ;)

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  3. Ver peças de teatro nunca vi ao vivo e essa mesmo tendo atores em sunga não seria por isso que iria ver a peça :-p mas parece interessante.

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Podem comentar, que eu deixo. Vale tudo, menos ofender. Ok? E estar vivo é o contrário de estar morto - Lili Forever.