sábado, 15 de fevereiro de 2014

espaços

Sempre tive um sonho: comprar a minha casa. Um devaneio que já passou por diversas fases, desde “apenas comprar ” um apartamento até como construir algo de raiz. Neste projeto, sempre me imaginei sozinho, talvez demonstrando o egoísmo que sempre me disseram ter. Contudo, há uns anos a ideia mudou. Pensei nesse projeto como algo partilhado, conjugando as vontades de dois, construído um ninho que fundisse a essência de cada um. E comecei seriamente a ponderar essa hipótese como a única alternativa que faria sentido. A verdade, é que embora concordando comigo, ele nunca quis fazê-lo. A boca dizia que sim, as atitudes nunca demonstraram o contrário. A verdade, é que acabou por ser a melhor “não decisão” que podíamos ter tomado, porque senão, a esta altura, estaríamos a partilhar o mesmo espaço o que seria muito penoso para mim. E tendo em conta a desilusão que se apoderou de mim, e que se apodera todos os dias mais um bocadinho, voltei a assumir a ideia da “minha casa”, do ”meu espaço” e da “minha vida”, como sendo essencial ao meu percurso terreno. 

22 comentários:

  1. É curioso (deve ser da idade), mas eu estou a mudar em direcções radicalmente opostas às que defendia aqui há bem pouco tempo. Via-me com alguém, tendo um ou dois filhos, biológicos ou adoptados (a ideia 'barriga de aluguer' chegou a pairar nos meus pensamentos. Afastei-a porque seria um acto de egoísmo, prejudicando a criança, que não teria culpa, e a mulher e mãe que, mesmo sob dinheiro, entraria num esquema injusto por minha causa).

    O tempo passa e deixo progressivamente de acreditar no 'amor'. Os pais, as pessoas que eu conhecia que mais se amavam, terminaram abruptamente. Nunca namorei e a ideia de ficar sozinho deixa de me incomodar. Vi uma entrevista do Herman há dias em que ele diz que "ter filhos é uma responsabilidade enorme" e que "não há nada pior do que ter a responsabilidade de criar e educar uma criança, alguém a depender de nós". Tem imensa razão no que diz. Aos poucos, a par de me conformar que estou sozinho, deixo de querer ter filhos e assim encaminho-me para uma quase inevitabilidade de ser um solteirão de 'canudo' e um dia, daqui a décadas, um quarentão / cinquentão culto e interessante. LOL Há por aí tantos.

    Amar é uma fragilidade constante. Uma dependência. É lindo quando duas pessoas se amam, de facto, adorando ver um casal feliz. O pior é quando acaba. Somos os nossos melhores amigos, por que não poderemos ser os nossos melhores namorados? É tudo tão relativo.

    Penso, sim, em comprar a minha casa. Ainda ontem estive a ver sites de apartamentos em Lisboa. Quero continuar na cidade. Visto que estou a terminar o curso, já penso nessas coisas. E penso fazendo-o sozinho. Já não me incomoda mais. :)

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    1. Mark, percebo a pontinha da tua desilusão em relação ao amor, mas ainda és tão novo e ainda vais conhecer tanta gente. Eu gosto de acreditar no destino e que as "coisas" aparecem no momento certo. Não se costuma dizer, que enquanto não a parece o Mr. Certo, vamos divertido-nos com os errados? Tu apenas queres o certo e não perder tempo com gente idiota. Só te posso receitar calma, mesmo vivendo uma fase de profunda desilusão com as pessoas, porque a vida não é estanque, as pessoas não são todas más, os erros existem, o perdão também e acima de tudo a nossa felicidade começa em nós ;)

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  2. algo que seja feito em conjunto deve ser bom para os dois, e não só para um. por isso essa "não decisão" foi a melhor decisão :)
    r: obrigado, e estamos a pensar em repetir, mas ainda está por definir o tema e o quando disso. Abraço ;)

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    1. Gonçalo a verdade é que todas as decisões em conjunto são melhores (divide-se a responsabilidade lolol) e cimentam uma relação... mas quando um decide coisas importantes, isso também poderá revelar algum sintoma de alguma coisa. Não sei talvez. E tudo isto para dizer que tens razão. A "não decisão" revelou-se a mais acertada no caso em apreço ;)

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  3. Tudo depende da pessoa que tenhas ao teu lado, de qualquer forma o teu canto é sempre o teu canto e podes dar os peidos que quiseres e ninguém te chateia lololololololololololololol

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    1. lolololol Francisco, não vejo só essa vantagem. A verdade é que quando as coisas acabam não tens que sair do teu espaço. Da tua casa. Do teu mundo.

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  4. Acho muito bonito, que quando encontraste alguém especial o teu sonho alterou-se para incluir o outro. Assim é que é :)

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  5. 'quem casa quer casa, não não casa casa quer' é o meu lema. adoro o meu canto, não sendo perfeito, por vezes desejando partilhar a minha vida, já o fiz e reflectindo esses anos, já passaram alguns, estou melhor agora, muito melhor.
    não sei se terei a mesma opinião daqui a uns anos.

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    1. Sabes o que acho Margarida, é que ganhando o hábito de morar sozinho, dificilmente se volta atrás depois. Fica mais difícil compartilhar o mesmo espaço com outra pessoa. Talvez com o tempo e com algumas cedências, se crie a necessidade efectiva de construir um espaço dos dois... mas quando as coisas acabam é uma chatice. Tenho um amiga minha, que foi viver com o namorado e compraram uma casa através de empréstimo bancário. Este ano separam-se e ficaram com uma casa que não querem e com um empréstimo que não sabem como vão pagar. E não quero isso para mim. Como diz uma grande amiga minha "a comprar uma casa, compra-a sozinho, porque as relações duram o que duram, e assim ninguém te coloca fora de casa". Terá razão? Não sei. Mas para já parece-me acertada.

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    2. Concordo em absoluto com a tua visão sobre o nos habituarmos a viver sozinhos. Eu vivi cinco anos sozinho, e hoje digo-te que tenho saudades de poder não jantar em casa sem ter de me preocupar em avisar, entrar à hora que quiser, sem preocupações com o barulho, poder andar nu em casa ou deixar os sapatos ao fundo da cama. Não há nada que pague o nosso próprio espaço.

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    3. Mas vais voltar Horatius. A crise não irá durar para sempre. Mas a liberdade que se conquista é impagável.

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  6. Eu fui muito diferente disso até há poucos anos atrás. Desde que saí da aldeia que vivi em residências ou casas partilhadas, e sempre achei que seria um desperdício o investimento numa casa. O que eu queria (e continuo a querer) é viajar, e esse é que era o investimento verdadeiramente importante. Tudo funcionou até começar a namorar com o P, o primeiro mais novo que eu, a acabar a faculdade... de repente senti-me como 'pai de família', sem condições para lhe dar. Morar com ele e outros amigos era divertido, mas no final já cansava o número de esperar que todos fossem para os respetivos quartos para ele vir para o meu ou vice versa. De repente, surgiu a oportunidade de comprar esta toca, que eu já conhecia e que até já tinha sido a minha casa de sonho quando eu tinha uns 12 anos - é em Lisboa, mas afastada da confusão, com excelentes acessibilidades, sem aviões a passar (o drama da casa anterior). Comprei-a eu, mas não acho que seja apenas minha, é minha e do meu gajo. E por mim vai ser sempre assim.

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    1. Foste muito fofinho agora Coelhinho :) Gostei de ler este comentário.

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  7. Eu em relação a este assunto ando dividido, por um lado não gosto da ideia de viver sozinho, queria partilhar a minha vida com outra pessoa que me amasse, por outro lado, os homens são quase todos uns merdas, portanto, mais vale só que mal acompanhado...
    enfim...

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    1. Gosto do "quase todos uns merdas" Miguel LOL Isso quer dizer que há esperança? llloooollll

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    2. A esperança é a última a morrer namorado... =p

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    3. Já acreditei mais nisso Miguel lololol

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Este blogue não é uma democracia e eu sou um ditador'zinho... pelo que não garanto que o comentário seja publicado. Mas quem não arrisca...