sexta-feira, 26 de junho de 2026

pós-dates dos pós-dates

Depois do primeiro date, existiu um segundo. Estávamos os dois cheios de tusa, e acabámos por curtir no meu carro, numa praia deserta da Costa de Caparica. Depois disso, disse-lhe que gostaria de manter o contacto e se houvesse vontade dos dois, podíamos curtir com regularidade, sem relacionamentos à mistura. Ele disse que por ele bastava combinar e que não procurava namoros. Pareceu que tudo se estava a alinhar nas vontades. 

Continuámos a falar durante semanas, e quando questionei se continuava a existir interesse, respondeu-me que sim, mas que tinha tido despesas inesperadas. Logo, os próximos encontros tinham que ter este aspeto em conta, além de ter de ver os dias que tinha folga. Por mim, tudo tranquilo. Contudo, daí, até hoje, nunca mais me disse nada. Se estou surpreendido? Não. É um comportamento bastante recorrente nos gays, ou seja, fingirem-se de mortos. Desaparecer do nada. Nisso somos especialistas. Já era assim em 2002 (quando comecei "nesta vida"), e mantem-se em 2026. Há coisas intemporais. Tal como a falta de honestidade. Ou a incapacidade das pessoas falarem sobre as coisas. 

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