sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

fim-de-semana

Terminei de trabalhar agora. Uma hora depois do planeado, considerando que tenho tempo a mais e o mês acaba hoje. Estou cansado. Daquele trabalho. Daquelas pessoas. E da incompetência da chefia. Que ganha balúrdios, só faz merda, mas é adorada pela Administração. Um pouco em linha com o Governo PSD/CDS, e da forma como se encontra a governar o nosso país. Veja-se Leiria. 

Para conseguir desligar disto tudo, queria era ir sair, beber, dançar e estar com os meus amigos. Sei lá tipo 2009 ou 2010, onde tudo era mais ingénuo para mim. Mas como o tempo não volta atrás, vou jantar a minha pizza, o meu doce do TikTok, beber um café e ver a série de sexta-feira à noite. Amanhã vou jantar com uma amiga e domingo, bom, domingo, organizar a semana que entra. 

E vocês, que planos têm? 


Bom fim-de-semana! 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

espaços

Uma das coisas que mais gostava no Pride de Madrid, era sentir-me "normal", como nunca me senti em Portugal. E essa coisa da "normalidade", passava "simplesmente" por andar na rua sem julgamentos, era mirar homens sem medo de ser "apanhado", era entrar num bar, olhar, alguém olhar de volta, e sorrir sem culpas, e existirem espaços onde era possível conhecer alguém (se existisse essa vontade) de uma forma mais simples. Sem aplicações, sem exigências físicas ou de outra ordem. Tudo parecia mais fácil mais descontraído e mais "natural", se é que esse conceito se pode aplicar neste caso. Talvez pela época, ou pela zona da cidade, ou pelo maior à vontade dos espanhóis, ou por tudo junto. Não sei. 

Adicionalmente, a esta sensação, os gajos em Espanha sempre me fizeram sentir "vivo". São menos divas que os portugueses. Aliás, ainda esta semana numa conversa com um amigo meu, afirmei que Portugal tem demasiadas gay divas para a população que tem. São demasiadas. Too much. Acham-se sempre superiores que os demais. Mais giros. Mais gostosos. Mais crème de la crème do que realmente são. 

Mas não estou para aqui a teorizar sobre divas, ou os prides de Madrid ou Lisboa, e qual deles será o melhor, apenas estou a tentar passar aquilo que sinto em relação a ambientes. Espaços mais quotidianos, mundanos, onde possamos estar, e apenas estar, onde tudo flua com mais naturalidade. Onde, mesmo em espaços conotados apenas como gays, tudo seja menos sexual, menos intrusivo ou "obrigatório". Dentro do tema, lembro-me por exemplo, de um bar/café em Bilbao, destinado a um público lésbico, mas onde todos são bem-vindos. E o que se passa por lá, para estar a referenciá-lo? Bom, é um local aberto a todos, embora tenha uma persona óbvia, mas onde podemos beber um copo, conversar com amigos e jogar jogos de tabuleiro. Uma cena muito mais descontraída, onde não tem que existir engate puro e duro, e que está aberto também fora do período noturno das 20h às 24h. 

Não quero também, estar a ser injusto relativamente a Lisboa, mas assumo a minha ignorância sobre este tipo de espaços por cá, portanto, se existirem, por favor, digam-me, corrijam-me e indiquem-me onde os posso encontrar, porque de Trumps, Constrution e bares de engate, embora possam ser importantes (e são, no seu devido contexto), não se enquadram naquele tipo de ambientes que considero que fazem falta em Portugal.  

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

2026

Não sei se ainda vou a tempo, mas janeiro não acabou, e por isso:

UM FELIZ 2026 para todos desse lado. 

cenas

Gosto de flirtar. Sempre gostei. Mas se isso depois dá em alguma coisa (ou se quero que dê), é outra conversa. Neste momento, já me contentava em estar aninhado com alguém num sofá, a dar festas na cabeça e no peito, de mãos entrelaçadas, a ver um filme, sem compromissos de maior. Mas a pessoa que mais perto dessa situação estará, não pode ser, porque depois eu dou sinais (ou o crl) de cenas que não quero, nem procuro de momento, e depois tudo fica turvo, confuso e dramático. Se calhar vou arranjar um peluche gigante para isso. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

dualidades

Parece um paradoxo o que vou escrever, mas não o consigo fazer de outra forma. Nunca pensei, que fosse ter tanta dificuldade em conhecer pessoas, nos moldes que pretendo, e nunca pensei ser tão rejeitado como tenho sido. Até por pessoas com quem falava nas redes sociais faz tempo. Mas as coisas são como são, e a vida é como é. 

Primeiro, há que estabelecer um contexto. Comecei a falar com rapazes, online, em 2002 (tinha 22 anos), era virgem e nunca tinha namorado. Desde esse ano, até 2009, conheci imensos gays, porque queria saber como era ser gay, como era ser um rapaz gay e acima de tudo, como é que dois homens poderiam ter um namoro maduro e saudável. Portanto, durante este caminho, fui construindo uma ideia de relacionamento muito heteronormativo, e sempre assumi, que iria perder a minha virgindade com a pessoa, por quem iria estar apaixonado. Mas quanto mais procurava, menos encontrava, e nunca ninguém quis namorar comigo, fazendo-me pensar que era uma valente merda ou teria algum problema associado. E assim, perdi a virgindade tarde, com a pessoa errada. Ao menos, tive muito prazer nesse encontro e o rapaz  (apesar de ser um valente idiota) teve muito cuidado e algum carinho comigo. Depois, entreguei para Deus e desisti de namorar, e chegou o namorado n.º1, passados 7 meses, o n.º 2 e passados mais 5 meses, o 3.º e último.  

Ao fim de 14 anos, fiquei sozinho novamente e assumi o compromisso comigo mesmo, que não queria ter relacionamentos nos próximos tempos. Queria "experimentar-me" e ver até que ponto era ou não, "conservador". Já fiz coisas que nunca pensei fazer, e quero fazer mais umas quantas, para testar-me e concluir, se serei assim tão tradicional, ou se por outro lado, se consigo ser moderno. Muito moderno já percebi que não, talvez vítima da educação que recebi ou da maneira de como vejo o mundo. Para mim, acima de tudo, tem de existir honestidade. E principalmente, conseguir ser honesto comigo próprio. 

Neste último ano, tentei conhecer algumas pessoas com quem falava nas redes sociais. Beber um café, jantar, sair, viajar, fosse o que fosse. Não existia obrigação de ter sexo, nem sequer a cena "foda" era algo inevitável. Queria "apenas" ouvir outras vidas, saber de outras histórias, viver através dos outros tudo aquilo que não conseguia fazer no momento. A verdade, é que só consegui fazê-lo com 3 pessoas e com um "comeback do passado", que já me voltou a pedir desculpa pela forma como me tratou. Muitas das vezes, além da idade que tenho (45 e meio), os fatores "não procuro sexo no imediato" ou "não procuro um relacionamento" são determinantes para a rejeição. Ou seja, neste momento é tudo ou nada. Até parece que estou impedido de ser amigo de gays. Porque ou fodes, ou casas. Ou casas, ou fodes. 

Aliás, já em 2014, quando tentei conhecer o Miguel, um comentador deste espaço, e meu vizinho, quando lhe perguntei "mas não podemos conhecer e ficarmos amigos?", a resposta foi "já tenho amigos demais", percebi que ser gay, além das dificuldades óbvias que temos durante a nossa vida (aceitação da família e amigos, trabalho, etc.), teria que lidar com a parte resistência das pessoas em querer vínculos, que não fossem obrigatoriamente ligados a casamento (como se fossem menores), ou de sexo imediato (como se o mundo fosse acabar amanhã). 

Resumindo, por tudo aquilo que procuro no momento, acabo sempre por encontrar o oposto. O que seria muito giro e dinâmico, se não fosse tão cansativo e não me começasse a causar ódio em relação a um conjunto de pessoas, por quem deveria ter uma maior afinidade. 

Paulo Braccini - Obrigado

Vim hoje aqui, nem sei bem porquê. Talvez para me lamentar da minha vida, ou para mandar à minha cara que este blogue, que este espaço, ficou parado no tempo. Na mágoa. Naquilo que fui e já não sou. Não sei bem. Contudo, neste caminho de autoflagelação, recebi uma notícia inesperada. Triste. Assim do nada.  

Porém, hoje não é sobre mim. É sobre o Paulo. É sobre a mensagem que recebi, numa caixa de comentários do Blog do Latinha, a avisar que o Paulo tinha partido. Daí, cheguei até uma publicação no blogue "Ruminando a Caixa de Pandora", e li sobre o Paulo. Sobre a despedida do Paulo. 

Quando alguém morre, é certo e sabido, que essa pessoa passa a viver só de virtudes e elogios, como aquilo que se disse de mal no passado, se evaporasse no tempo e espaço. É um exercício egoísta e que só serve para minimizar a culpa de quem o tenha feito. Não acredito que seja o caso do Paulo, porque ele era um doce de ser humano. 

Embora a milhares de quilómetros de distância, a interação com a blogosfera e blogosgayfera portuguesa, sempre foi viva, acolhedora, simpática, cordial, sincera e honesta. O Paulo sempre mostrou disponibilidade para fazer parte, para contribuir, para estar presente e participar em tudo o que lhe fosse pedido ou solicitado. Com o seu humor peculiar, polvilhado com aquela traquinice de menino, que adoçava ainda mais a sua maneira de ser, conquistava qualquer um e era peça fundamental nesta blogosfera transatlântica. Será sempre recordado, até porque a blogosfera pode estar moribunda, mas não morreu. E o Paulo não morreu, tornou-se eterno.  


Obrigado por tudo, Paulo. Até um dia. 


Entrevista ao Paulo Braccini, para ler AQUI.


Participação do Paulo Braccini no Calendário Blogosférico de 2016 - mês de janeiro