Se dormi mal? Dormi. Não só por causa da comida do jantar, que não me caiu bem (já tenho uma certa idade e não devia comer certas coisas), mas também da forma como acabou a noite, e as frases que foram ditas, esclarecidas posteriormente por mensagens. Por mais que queira, não consigo desgravar da minha memória, a cara do M. a dizer-me "tu não gostas de mim". Isto nunca me tinha acontecido, ou seja, alguém dizer-me que não gosto dela, quando no fundo sabe que gosto. Normalmente é sempre ao contrário. Era sempre eu que ficava do outro lado da barricada. Portanto, não estou a conseguir lidar com o facto de ser o mau da fita.
Não estou fixe, até porque dormi muito pouco, e devo ter acordado e levantado da cama umas 500 vezes, e ainda estou a acordar efetivamente, mas já estou com os olhos cheios de lágrimas. Não sei, parece que me sinto culpado de alguma coisa (muito culpado, assumo), ou talvez, mais do que isso, saber que perdi o M. na minha vida. Porque apesar dele dizer que vamos continuar a fazer coisas juntos, como fazíamos, eu sei - e ele também sabe - que as circunstâncias mudaram. Tudo mudou. E não estou a falar da parte sexual - porque isso resolvo com uma masturbação básica - mas sim, da cumplicidade, do carinho e da compreensão, que existia entre duas almas magoadas pelos gays.
Ainda por cima hoje, tenho um almoço com amigos onde vai estar o ex-namorado. Só me apetece inventar que estou doente e não ir, mas sei que fizeram cenas gastronómicas de propósito para mim, as pessoas estão a contar ver-me, porque já não me veem há meses, e sentir-me-ia culpado também... se desmarcar a esta hora. Só não quero desatar a chorar ali à frente de toda a gente.
E quando disse à psicóloga "o que me vai custar mais quando o M. arranjar alguém, é saber que vamos perder esta interação diária que temos e que me fez sobreviver este ano que passou, mas pronto, vou ter de lidar com isso da melhor forma", nunca pensei que, afinal o que teria de lidar, era com a mágoa de não ter correspondido às expetativas (não, que não queira, mas porque não posso, porque não estou OK para isso e tenho muitos fantasmas para combater) e com uma imagem de uma pessoa que eu gosto muito, cheia de tristeza e deceção a dizer-me: "tu não gostas de mim".
Eu inventaria uma desculpa mas também pode correr bem, nunca o saberás se não fores
ResponderEliminarNão é fácil mas creio que ninguém tem a fórmula
Não correu mal. Mas também não foi espetacular.
EliminarLi ontem uma frase que acho que se calhar pode ajudar: fixamo-nos mais nas coisas que perdemos, do que nas que nunca tivemos. Wellness, o último livro do Nathan Hill (que recomendo - e não tem nada a ver com wellness, dica). Se posso dar um conselho: não te culpes, não te martirizes - és quem és; se tens de ser o que o outro quer, ou corresponder a expectativas, não estás com a pessoa certa. Ou estás a fantasiar que estás com a pessoa certa. Um amigo verdadeiro e que vale a pena é aquele com quem podes estar todo tu, com as tuas vulnerabilidades todas. Que não espera nada de ti, nem tu dele. Senão é uma transação, um amigo de interesse (que é o que a grande maioria dos amigos da grande maioria das pessoas são). O segredo é procurar (e não sofrer no processo). Há um mundo inteiro à tua espera!!
ResponderEliminarObrigado pelas palavras! Não está a ser fácil, mas estou a tentar todos os dias.
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