segunda-feira, 24 de setembro de 2018

tempos


Sempre duvidei de fenómenos “internéticos” vertiginosos, que de um dia para o outro conseguem crescer nas Redes Sociais, e virar “influencers”. Conheço (conhecemos), tantos e tantos casos que no passado eram “supé” famosos, e hoje… nem vê-los. Acredito, que para se ter sucesso neste mundo virtual dos blogues, “instagrãns” e coiso e tal, é preciso ter paciência. Pelo menos se o objetivo final for esse. E se for, há que ser persistente. Insistente. É querer ser alguma coisa efetivamente. É apostar na sinceridade como mote, e colocar um bocadinho de nós em tudo o que escrevemos, desenhamos, fotografamos e partilhamos.

Portanto, quando me perguntam “qual é segredo para ter um blogue de sucesso?”, torço o nariz. Bom, na realidade não sei responder a isso (até porque nunca tive nenhum projeto nesses termos), mas como leitor, aquilo que me faz voltar a qualquer lado é sentir, que o que foi partilhado foi genuíno. Isso, para mim, garante êxito. A interação, sentida, entre quem comenta e quem responde é ponto-chave. Saber que não é um robô que ali está, a tentar impingir-nos umas “coisinhas” patrocinadas, é, na minha opinião, uma mais valia. E não perseguir “comentários”, “visitas”, “números”, “status”, “rankings” e “competições”, é o garante de uma sanidade mental que não nos faz desistir de ser bloggers só porque ninguém comenta. Aliás, não existe obrigatoriedade neste campo. Para mim, partilhamos porque queremos e se não existir um "feedback" efetivo, ou materializado, isso não quer dizer que não nos tenha feito bem. Ou que num futuro próximo, não possamos ajudar alguém.


Acho, pelo menos acredito nisso, que desde que criei este espaço (no longínquo ano de 2012) consegui colocar aqui um bocadinho de mim. Este blogue, embora parvo e irónico, sou eu. Ou melhor, é uma parte de mim que vive através de uma personagem. De um perfil virtual, que é real. E não. Não comecei este projeto com o objetivo de ter sucesso. De ser famoso. De querer viver “disto”. Não. Apenas quis desabafar e partilhar parvoíces, que muitas pessoas na altura, presencialmente, não tinham paciência para escutar. Quis apenas ser gay. Coisa, que na minha vida real era difícil de ser. Aqui descobri-me, cresci e mudei. Sozinho, mas muitas das vezes acompanhado. Escrevi milhares de comentários por esse universo blogosférico fora, acompanhei blogues, vi nascer e morrer muitos espaços, e participei em muitas iniciativas que me deram muito gozo. Obviamente, que quando [re]comecei a ser blogger, já existia uma blogosfera fervilhante, com tantos e bons espaços, que eu acompanhava. Não fui pioneiro em nada, nem nunca o quis ser. Não queria mudar o mundo. Queria apenas ser eu próprio.

Vi, acompanhei, mantive e perdi pessoas neste processo. Mas talvez esse seja o propósito da nossa jornada. Talvez a vida seja isso mesmo, uma mistura de presenças e ausências que vão penetrando na nossa alma consoante o nosso estado de espírito da altura. Tenho saudades de muita coisa. De muitas pessoas. De muitos blogues. De muita interação que hoje desapareceu. A verdade, é que fico sempre com um sorriso parvo na cara quando me lembro do ano de 2016, dos Calendários Blogosféricos, dos Cigno e de todos os desafios de outros blogues que participei afincadamente (adorei o Pixel do Sérgio).

Claro que nada volta a ser como era/foi. Eu próprio não sou o mesmo. Mudei. Desleixei-me. Desliguei-me. Atirei-me para a cama, a seguir ao jantar, para assistir séries e esperar o dia seguinte. Dia após dia.  Estava cansado do meu blogue. Estava cansado de muita coisa. De mim. Dos outros. Porque me desmotivei perante muita coisa. Porque deixei que a desilusão, a preguiça e a inércia me conquistassem. Mas atenção! Não procuro elencar aqui um conjunto de desculpas esfarrapadas para que a malta fique com pena. Não. Nada disso. Simplesmente hoje apeteceu-me ter saudades do que fui. Do que passou. E essencialmente... do que está para vir.    

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