A minha raiva dos últimos tempos contra os gays, tem uma razão. Um motivo. Não apareceu do nada, nem acordei um dia a pensar "agora vai ser assim". Não. Nunca quis ser aquele velho amargurado, ressabiado por alguma coisa, que odeia toda a gente e deseja infelicidade para o mundo em geral. Não. Sempre tentei ser um tipo fixe, seja esse conceito o que for, e desde o final de 2024, que tento tentando não ficar contaminado por atitudes de merda, ou cenas que me deixaram triste e arrasado. Estou a tentar ter o menor número de marcas possível, porque quero atingir alguns pedaços de felicidade para mim.
Acho que já estive mais longe, e sinal disso, foi ter começado a cantar do nada, no carro, num destes dias, ao mesmo tempo que sorria. Quando dei por mim, estava feliz. Mesmo que esse rasgo sentimental tenha tido uma duração finita. Mas ao mesmo tempo, que entro neste estado de espírito e consigo ganhar tranquilidade, há sempre qualquer coisa que acontece, que me deixa possuído.
No sábado passado, voltei a cruzar-me nos balneários do ginásio, com o tal gajo que odeio. E pela quarta vez, voltou-me a fazer a mesma merda. Fixa-me com os olhos de gozo, de desafio, do género "eu sei quem és, mas tu não sabes quem sou" - quando sei, e parece estar sempre à espera da oportunidade onde me consiga/possa humilhar. Eu sei que ele tem 26 anos (ou 27), e portanto estará no grau zero de maturidade, mas já tem idade para se comportar como um homem'zinho. Também sei, que ele é giro e gostoso, e ele tem consciência disso, mas a vida já me ensinou que a beleza, o físico e o corpo musculado, desaparecem. E depois, no fim da linha, tudo se resume a uma pergunta: como gostarias de ser lembrado pelos outros? Alguém que fez a diferença ou um filho da puta? É claro, que aos 26 anos, não se vai querer saber de nada disso, até porque se é muito novo e tem muito para se viver. Mas ter atitudes de merda, só te vai transformar/manter numa merda de pessoa.
Confesso. que estas abordagens me deixam KO e de certa maneira, revoltado. Se ele sabe o que me fez, e não foi bonito, e poderemos até afirmar, que o fez de uma forma gratuita, porque não me conhecia e não fazia parte da minha vida, o que ganhará com esta atitude idiota de agora? Sente-se valorizado? Superior? Esteticamente, validado? Será um motivo de orgulho tão grande para alguém, ter sido o outro? E achar que por eu não saber, que sei, que isso lhe dará mais pica? Um gosto extra, porque acha que quando me vê, me humilha ou me reduz?
Talvez um dia, em que esteja mesmo muito mal disposto, se voltar a fazer o mesmo, perco a vergonha e pergunto-lhe diretamente se "precisa de alguma coisa, ou se a cara que faz, quando me vê, é apenas deficiência". Porque se for deficiência, com isso não se goza. Mesmo que ele o tente fazer comigo sempre cada vez que me vê.